O PBAVC pretende avaliar os impactos ambientais na produção e consumo de bens e serviços, a partir de inventários de ciclo de vida. Os estudos que levarão em conta o processo desde a extração da matéria-prima ate a destinação final do produto, passando por manufatura, transporte, distribuição, uso, reuso, manutenção e reciclagem.
O programa é imenso e vai exigir muito esforço, mas será muito compensador. O objetivo é identificar oportunidades para que as empresas produzam de forma mais ecológica e com menor custo. Para isso, um levantamento será realizado para coletar dados do que é feito hoje e de como é feito, para posteriormente buscar alternativas menos custosas e mais amigáveis ao meio ambiente.
O segredo está na elaboração dos inventários, que serão desenvolvidos a partir de uma metodologia padrão. É importante destacar que uma nova capacitação deverá ser necessária na área de engenharia pois, apesar do assunto já existir em algumas empresas multinacionais, ainda é novidade para os brasileiros.
Do momento da concepção de um produto até o seu descarte final, muitos eventos acontecem. Já temos alguns exemplos no setor automotivo, mas ainda engatinhamos. Anos atrás, a Volkswagen Caminhões e Ônibus apresentou na exposição do Congresso de Tecnologia da Mobilidade da SAE BRASIL um estudo de caso de Ciclo de Vida do caminhão Constelation. Nós, do IQA, demos suporte a esta iniciativa.
É um programa que deve ser apoiado por toda a sociedade, pela indústria, governo, instituições de ensino e associações de classe, pois vai trazer muitos benefícios. No futuro, o programa poderá ser adotado de forma compulsória para qualquer produto. No entanto, é possível que o mercado comece a exigir pela força do benefício social.
Não seria bárbaro saber que o veículo tem uma parcela de material reciclado, uma de componentes recicláveis e que o restante não vai agredir ao meio ambiente porque será devidamente descartado? O programa é tão grande que envolve nada menos do que seis ministérios do Governo Federal, além de órgãos como Inmetro, Ibama, Aneel, ANP, IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), ANA (Agência Nacional de Águas), CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Sebrae, ABNT, ABCV (Associação Brasileira de Ciclo de Vida), e o CBAC (Comitê Brasileiro de Avaliação da Conformidade), que também representa o setor industrial, além da ABINEE e da Anfavea.