
O não emplacamento de veículos de duas rodas ocorre com grande frequência em cidades das Regiões Norte e Nordeste, em que modelos com cilindrada até 50 centímetros cúbicos, os ciclomotores, rodam sem placa por falta de fiscalização ou por causa de uma brecha no Código de Trânsito Brasileiro, o artigo 129.
Como exemplo, a fabricante brasileira Kasinski repassou em 2012 a seus concessionários 15.124 unidades do modelo Soft 50, que ela produz em Manaus (AM). Contudo, somente 2.801 desses ciclomotores foram emplacados no período.
Outra nacional, a Traxx, informou 7.709 unidades distribuídas da JL 50 no ano passado. O emplacamento, porém, só ocorreu para 2.220 destas. A também brasileira Dafra vendeu à sua rede 14.352 exemplares da Zig 50 no ano passado, mas só 2.546 delas foram lacradas.
Vale ressaltar que a Dafra também produz e vende uma versão Zig com motor de 100 cc, da qual repassou à rede 2.074 unidades em 2012. No mesmo período, os emplacamentos desse modelo somaram 3.027.
Segundo o consultor Francisco Trivellato, o consumidor é atraído pela economia que essa opção representa na prática. Comprando um veículo de 50 cc que não irá emplacar, ele gastará menos de R$ 4 mil. Se optar pela formalização, terá de gastar quase R$ 1 mil a mais com a documentação e a placa.
Trivellato afirma que esse cenário já tem reflexo no mercado de motocicletas, em que a venda dos modelos de 125 cc teve queda maior que a do mercado em 2012. De acordo com a Autoanálise, cerca de 200 mil unidades com 50 cc de cilindrada foram importadas em 2012, mas somente 15.857 foram emplacadas.
Somadas essas “cinquentinhas”, as vendas em 2013 devem atingir, segundo a consultoria, 1.883.000 motocicletas, 10,9% a mais do que os 1.697.990 emplacamentos projetados pela Fenabrave, federação que reúne as associações de concessionários.