Quem esteve na Europa nos últimos anos provavelmente viu um Citroën Ami pelas ruas. O simpático carrinho (que é chamado como “solução de mobilidade” pela própria fabricante) será importado para cá e demais mercados da América do Sul onde a Citroën está presente.
A venda do Ami era um sonho antigo da Stellantis. Há alguns meses, Antonio Filosa, CEO da empresa na América do Sul, usou o pequenino Citroën como exemplo para defender a criação de uma nova categoria de veículos de entrada.
Apesar de não ser uma ideia inédita, o modelo desperta bastante atenção, inclusive da concorrência. Recentemente, o CEO da Dacia confessou admiração pelo Ami e não descartou a possibilidade de lançar um projeto semelhante na Europa, onde a marca romena ganhou fama graças aos produtos de baixo custo, como Sandero e Duster.
Curiosamente, a Dacia é controlada pela Renault, que anos atrás apostou no Twizy, um veículo com várias características semelhantes às do Ami.
Ami é leve e cabe em qualquer lugar

O Ami estreou na França em 2020 e hoje é vendido nos principais mercados do Velho Continente, além de alguns países da África e Oriente Médio.
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Com apenas 485 quilos, o Ami usa bateria de 5,5 kWh, que entrega autonomia de até 80 quilômetros pelo ciclo europeu WLTP. A recarga pode ser feita em qualquer tomada de 220 volts e leva apenas três horas. Para ser mais prático, o cabo de recarga está no próprio carro.

O projeto é equipado com um motor de 6 kW que é suficiente para entregar 8 cv e levá-lo aos 45 km/h. Só que a intenção não é andar rápido, já que a própria Stellantis o classifica como uma “solução de mobilidade”, e uma de suas principais vantagens é acessar locais onde automóveis e outros veículos convencionais não podem ou não conseguem circular.
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É por isso que o Ami é disponibilizado em uma inusitada versão utilitária chamada Cargo, que esteve em exposição no Festival Interlagos, evento realizado em julho no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP).

Com capacidade para 140 litros e 75 kg, ele ainda tem área de armazenamento modular, que pode abrir espaço para um segundo banco quando a área destinada para carga não estiver em uso. Assim como na Europa, no Brasil ele poderia ser bastante utilizado por empresas de comércio eletrônico e outras companhias que realizam entregas.
Jovens de 14 anos podem guiar o Ami

As dimensões bastante compactas também dão agilidade ao Citroën. Com 2,41 metros de comprimento, 1,52 metro de altura e 1,39 metro de largura, ele é extremamente fácil de ser conduzido, mesmo sem qualquer assistência na direção.
Isso faz com que jovens com 16 anos e sem carteira de habilitação sejam autorizados a conduzi-lo na Europa. Na França, essa situação é ainda mais permissiva, já que qualquer pessoa com mais de 14 anos pode dirigir um Ami.
A lista de equipamentos de série é bastante modesta. Não há ar-condicionado, central multimídia, nem controle de estabilidade. Em contrapartida, o painel de instrumentos digital exibe todas as informações essenciais. Entre o volante e o para-brisa existem alguns nichos com bandejas removíveis e um porta-copos.
Os vidros laterais só podem ser abertos parcialmente, como no icônico 2CV, e há um porta-celular no painel para consultar o GPS ou abrir o Spotify para ouvir música – pelo alto-falante do próprio smartphone, é claro.
Até as maçanetas internas foram trocadas por simples tiras laranjas. Destaque para as portas com aberturas em sentidos opostos, uma engenhosa solução para utilizar a mesma peça nos dois lados.
Na Europa, o Ami é vendido a partir de € 7.790, mas com o “desconto” oferecido em vários países europeus, seu preço cai para menos de € 7 mil – o que, em conversão direta, seria aproximadamente R$ 36 mil.
Citroën Ami será vendido no Brasil e na América do Sul

Até o momento, nenhuma informação foi divulgada pela Citroën a não ser o lançamento do Ami na América do Sul.
Ainda não está claro se qualquer pessoa poderá comprá-lo ou se o Ami estará disponível exclusivamente para pessoa jurídica, como aconteceu com o Renault Twizy.
A tendência é que o veículo seja comercializado com foco nas empresas para uso em pequenos deslocamentos internos, como em fábricas e edifícios comerciais. A fabricante prometeu revelar mais dados sobre a estratégia para o Ami em breve.
