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Citroën cresce e projeta vida nova nos próximos anos

Desprezada na era PSA, marca pensa em voos mais altos após ganhar moral com Stellantis
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Vitor Matsubara

07 dez 2022

5 minutos de leitura

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Quando assumiu o controle das marcas da extinta PSA, a Stellantis encontrou a Citroën em situação delicada no Brasil. Como em um relacionamento problemático, a empresa estava fragilizada por não receber a atenção necessária e acabou se fechando para as tendências do mercado, perdendo oportunidades e até boa parte de seu brilho. Estava claro que uma atitude precisava ser tomada.

Foi o que a Stellantis fez. Após analisar o cenário e estabelecer uma relação baseada na confiança, foram identificadas virtudes a serem desenvolvidas e medidas que precisariam ser tomadas para fazer a Citroën voltar aos dias de glória. Esse momento ainda não chegou, mas o cenário atual é muito mais favorável do que há alguns anos.

Marca cresce em participação de mercado

Embora o crescimento ainda seja tímido, ele merece destaque mesmo em comparação aos números do ano passado, quando já estava sob nova gestão. No resultado acumulado (de janeiro a novembro deste ano), a marca está com 1,8% de participação no mercado de automóveis de passeio – um ganho de 0,6% em relação ao mesmo período de 2021.

Ainda ocupa o mesmo 12º lugar registrado no ano passado, mas com um volume bem superior de unidades emplacadas: são 25.263 veículos no acumulado de 2022 contra 17.180 licenciamentos de janeiro a novembro de 2021, quando tinha 1,2% de participação.

Se a conta somar automóveis de passeio e comerciais leves, a marca acumula 27.938 unidades emplacadas no acumulado de 2022, suficientes para obter 1,6% do mercado. A título de comparação, a Citroën tinha 20.267 veículos licenciados e 1,1% de participação no período de janeiro a novembro de 2021.

Citroën supera Nissan em novembro

Considerando apenas os números de novembro de 2022, a Citroën emplacou 4.365 unidades de automóveis de passeio e comerciais leves, chegando a 2,3% de participação de mercado. Se olharmos somente para os emplacamentos de automóveis, as 4.195 unidades renderam participação ainda maior: 2,6%.

Nos dois cenários, a Citroën superou a Nissan, dona de duas fábricas e uma operação muito mais estável no país nos últimos anos.

Um dos grandes responsáveis por esse feito é o novo C3. Lançado em agosto, o hatch vem crescendo nas vendas a cada mês. Com os 3.139 veículos emplacados no mês passado, o modelo teve alta de 22% em relação ao volume de outubro. Quanto à participação no segmento, o C3 possui 6,9% do segmento de B-Hatches, no qual ocupa atualmente a sexta posição. Em três meses cheios de vendas, o modelo emplacou 7,5 mil unidades.

Entre os comerciais leves, a marca cresceu 26% em novembro, mesmo ante à discreta queda de 1% do segmento comparado com outubro. A maior responsável pelo resultado foi a Jumpy, cujo volume de emplacamentos teve alta de 32% frente ao mês anterior. No geral, a fabricante fechou novembro com 3% de participação de mercado no segmento – um ganho de 0,4%. É importante lembrar que, assim como a Peugeot, os veículos comerciais desempenham um papel essencial na estratégia de vendas da Citroën.

Novos produtos podem alavancar vendas

Se algo precisava ser feito para enterrar os dias ruins, a Stellantis implantou uma nova mentalidade na Citroën. Foi assim que a fabricante se abriu às novas possibilidades e acabou com hábitos tóxicos para si mesma.

Um deles era a mania de se apoiar na imagem “premium” herdada dos anos 90, quando a marca foi uma das expoentes da reabertura das importações. Por muitas vezes, isso fez com que a Citroën deixasse de investir em segmentos mais populares com o receio de popularizar demais sua imagem. Quer um exemplo? Basta lembrar que a empresa mal investia em vendas diretas – hoje uma poderosa ferramenta para aumentar suas vendas.

Disposta a deixar as coisas acontecerem, a Citroën está otimista para os próximos anos. Parte dessa mentalidade se deve ao plano estratégico Citroën 4 All, que foi revelado no final de 2021.

Todas as fichas da empresa foram jogadas no projeto C-Cubed, que prevê o lançamento de três produtos globais em três anos, todos desenvolvidos em conjunto com a filial da Índia e com várias adaptações para atender aos gostos e características do mercado brasileiro.

“Os produtos que iremos lançar foram estudados e projetados para o nosso mercado”, declarou Antonio Filosa, CEO da Stellantis América do Sul, na ocasião da apresentação do plano estratégico.

O primeiro deles foi o C3, e outros dois modelos chegarão às ruas em 2023 e 2024. Sendo assim, o próximo carro da lista (embora não confirmado pela fabricante) será um SUV compacto para sete pessoas.

Conhecido provisoriamente pelo codinome CC24, o projeto já está em fase de testes há alguns meses, inclusive no Brasil. A ideia é fisgar os clientes carentes de um produto moderno e capaz de levar famílias mais numerosas.

Hoje, a Chevrolet Spin é a opção mais barata no mercado de veículos novos –  e mesmo assim parte dos R$ 100 mil na versão de entrada LT com câmbio manual. De quebra, o novo modelo da Citroën ainda abriria um subsegmento dentro da badalada categoria de SUVs compactos, já que hoje nenhum modelo oferece sete lugares.

O último modelo da estratégia C-Cubed seria um sedã compacto. Embora a decisão possa causar estranheza para alguns, a Citroën confia no sucesso do produto na Argentina, onde o consumidor ainda gosta deste tipo de veículo. Prova disso é o êxito do Fiat Cronos, atualmente o carro mais vendido no mercado argentino. O bom desempenho, aliás, teria até motivado os executivos da Citroën a apostar no projeto.

Com essa trinca de lançamentos, a fabricante espera chegar aos 4% de participação de mercado dentro de dois anos. Sem dúvida é uma meta ousada, mas não é impossível de ser atingida – especialmente considerando os resultados obtidos pela fabricante em 2022.