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Classe média preocupa CEO global da Stellantis

Carlos Tavares falou sobre como a escala produtiva e os subsídios podem derrubar os preços dos veículos elétricos
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Bruno de Oliveira

06 mar 2024

2 minutos de leitura

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O CEO global da Stellantis, Carlos Tavares, está preocupado com a classe média. Para o executivo, será ela a responsável pela massificação dos veículos elétricos no mercado global.

O ponto de vista parece óbvio, uma vez que é esse estrato da sociedade que dá volume e sustentação ao consumo no planeta. No entanto, a aflição do CEO da Stellantis faz sentido e tem fundamento quando analisados os indicadores globais.


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“O consumo de veículos elétricos na Europa caiu depois que os países retiraram os subsídios”, disse Tavares na quarta-feira, 6, em Brasília (DF), durante apresentação do novo ciclo de investimentos de R$ 32 bilhões da Stellantis para a América do Sul. “E com forte dívida interna, e juros altos, é muito difícil que eles voltem”, completou.

O executivo citou como exemplo o que acontece na Itália, país que tem como meta a produção de 1 milhão de veículos elétricos até 2030 e cujo mercado, assim como o Brasil, tem ampla participação de modelos compactos.

“A sociedade italiana já se mostrou muito sensível ao preço quando o assunto é carro elétrico. O que significa que, para vender híbridos e elétricos, temos que ajudar a classe média com subsídios”, contou Tavares.

Eletrificação pode comprometer escala

Outro cenário que preocupa de certa forma o CEO global da Stellantis é a regionalização das tecnologias de descarbonização. A adoção de diferentes motores no mundo comprometeria, segundo o executivo, a escala de produção.

“A classe média é quem dará escala à produção de veículos elétricos e com essa escala o preço do veículo será mais acessível. Acontece que a regionalização das tecnologias não é algo necessariamente bom sob esse aspecto”, explicou Tavares.

Na prática, as diversas formas de se promover a descarbonização – a oferta de veículos híbridos flex no Brasil, e os puramente elétricos no Brasil, por exemplo – demandariam um volume de investimento maior da empresa na comparação com um cenário mais homogêneo em termos de powertrain limpo. 

“Para reduzir os custos dos veículos só nos resta uma direção, que é encontrar soluções inteligentes para mitigar os custos de produção ao ponto de se equiparar os preços com os dos veículos térmicos”, afirmou o executivo. 

“Isso deverá acontecer entre 2026 e 2027. Ou seja, mais dois anos de veículos elétricos caros”, previu o CEO global da Stellantis.