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CNH Industrial aposta em 2015 melhor que 2014

Após um ano difícil para o setor de veículos comerciais pesados e de máquinas agrícolas e de construção, as projeções dos fabricantes para 2015 não são nada animadoras. Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial, empresa presente em ambos os mercados, não concorda com a visão pessimista: “Vejo muita notícia negativa. A situação é dura, mas não é esse desastre todo. Depois desse momento complicado de queda das vendas, acredito que vamos reconstruir o mercado no próximo ano”, avaliou o executivo em entrevista a Automotive Business
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pedro

13 out 2014

3 minutos de leitura

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Sobre o mercado brasileiro de caminhões, em que a CNH Industrial atua com a Iveco, Fistarol destacou que o ano foi prejudicado principalmente pela demora na regulamentação do PSI/Finame do BNDES, linha com juros subsidiados responsável por cerca de 80% dos financiamentos do segmento, o que fez a indústria perder vendas no primeiro trimestre inteiro, comprometendo o desempenho de 2014, que de janeiro a setembro acumula queda de quase 14% em relação ao mesmo período de 2013. O problema poderá se repetir no próximo dia 21 de novembro, quando termina o período de concessões do PSI por contratação simplificada – o processo tradicional pode levar mais de dois meses para aprovação. “Espero que dezembro não seja perdido como em 2013 e no começo deste ano. Na nossa interface com o governo, nos garantiram que não vai acontecer de novo o que aconteceu na virada do ano”, disse.

No caso das máquinas agrícolas, as vendas no atacado de tratores de rodas apresentam queda de 18% de janeiro a setembro e as colheitadeiras tiveram recuo ainda maior, de 22,8% no mesmo período. “O potencial do setor no Brasil e América Latina é incrível. Todos acreditavam em um mercado diferente este ano, que sofreu com os estoques de 2013 e a demora na regulamentação do PSI. Mas os produtores seguem investindo em mecanização e somos muito positivos quanto ao futuro”, afirma Fistarol.

Para o segmento coberto na CNH pelas marcas New Holland e Case IH, Fistarol avalia que os financiamentos do BNDES estão melhor encaminhados para 2015: “O governo já anunciou a Moderfrota (para financiar tratores e colheitadeiras). O programa é gerenciado por um setor diferente no BNDES, mas o mais importante é que os recursos estão disponíveis e vemos uma certa continuidade, assim não deverá ocorrer atrasos nos processos como aconteceu na virada de 2013 para 2014”. Com o horizonte melhor delineado, o executivo acredita que o próximo ano será para aproveitar o grande potencial do agronegócio.

“Para as máquinas de construção o cenário é parecido”, diz o presidente da CNH, que atua no segmento com as marcas New Holland Construction e Case Construction. “O País está investindo em sua infraestrutura, embora às vezes não se perceba a velocidade disso. Mas está acontecendo. Com as privatizações acredito que a velocidade será diferente e as consequências positivas logo serão vistas”, destaca.

Se o futuro parece mais promissor, no entanto, o presente continua preocupante. Fistarol conta que em todas as 11 fábricas do grupo na América Latina (sete no Brasil) foram tomadas providências para reduzir os estoques criados com a lentidão das vendas. “Estamos alinhados com o que o mercado está fazendo. Temos feito paradas na produção para ajustar os estoques e teremos agora o período de paralisações normais de fim de ano. É um momento a ser gerenciado mais de perto possível, tentando proteger nossa mão de obra qualificada”, afirma o executivo.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Vilmar Fistarol para a ABTV: