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Agência Estado
O ano de 2011 começou com um ritmo acelerado, mas terminou frustrante para a indústria. A expectativa agora é a de que o faturamento do setor possa ser melhor este ano do que foi em 2011. A avaliação foi feita na segunda-feira, 6, pelo gerente-executivo de políticas econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flavio Castelo Branco.
Para o executivo, o quadro estava se mostrando muito difícil para o setor no ano passado. Por isso foram bem-vindas algumas desonerações tributárias anunciadas pelo governo no final de 2011. Como exemplo, ele citou a redução de impostos para o segmento de utilidades domésticas e a tributação diferenciada ao setor automobilístico. “Isso deve reduzir as importações, pois o quadro estava se mostrando mais difícil”, considerou.
Além disso, Castelo Branco enfatizou que a política industrial, denominada Brasil Maior e lançada no ano passado, não foi totalmente absorvida pela economia. “Alguns instrumentos começaram a fazer efeito agora no início do ano, por isso esperamos que em 2012 possa ter alguma melhora”, previu.
PRODUÇÃO INALTERADA
A utilização média da capacidade instalada da indústria foi de 82,2% em 2011 – 0,1 ponto porcentual abaixo do dado verificado em 2010 e 0,2 ponto porcentual abaixo da média de 2007. “A indústria está no mesmo patamar visto no segundo semestre de 2008, antes da crise. Estamos há três anos com o nível de produção inalterado”, analisou Castelo Branco.
O ano passado terminou com o nível de utilização da capacidade instalada em 81,3%. “Esse é praticamente o mesmo patamar de 2010. Existe, portanto, espaço para aumentar a produção sem qualquer pressão sobre preços”, considerou o executivo. Ainda fazendo comparações com dados de outros anos, ele salientou que houve recuperação do emprego no ano passado em relação a 2008. “Houve melhoria da qualidade do emprego, o que também se observou na indústria”, disse. Castelo Branco salientou, porém, que, em relação ao mercado de trabalho, os dados do quarto trimestre mostraram recuo na comparação com o trimestre anterior. “O ritmo foi menor em 2011 do que o de 2010.”
MERCADO DE TRABALHO
O mercado de trabalho já mostra sinais de arrefecimento, segundo o gerente-executivo de políticas econômicas da CNI. De acordo com ele, o total de horas trabalhadas, que mostrou recuo no final do ano, é o indicador que possui relação mais direta com ritmo de atividade do setor.
Apesar da elevação de 0,9% no total de horas trabalhadas em 2011 em relação a 2010, em dezembro houve queda de 1,2% na comparação com novembro (dado com ajuste sazonal) e recuo de 0,7% na comparação com dezembro de 2010. Esse movimento é explicado, de acordo com o gerente-executivo, pela quantidade de estoques indesejados. “Por isso, o total de horas trabalhadas não acompanhou o faturamento”, argumentou.