A hierarquia verticalizada era realidade na maioria das corporações, onde as lideranças pareciam inacessíveis e o diálogo difícil. Naquele tempo, foco em resultado era uma das grandes características que um profissional poderia oferecer – ainda que isso tivesse como consequência pouca preocupação com as pessoas e com o ambiente corporativo.
Essa era uma época de empresas declaradamente dominadas por uma cultura masculina. Só em 1988 a constituição tornou o racismo crime e passou a defender o fim de qualquer tipo de preconceito. Em 1990, a OMS – Organização Mundial de Saúde, deixava de considerar a homossexualidade como doença mental. As mulheres eram raridade nas organizações.
Pouco se falava em inovação. A tecnologia engatinhava com a internet começando a penetrar nas corporações. A comunicação funcionava por meio de nostálgicos aparelhos de fax, cartas e telefones. Tempos difíceis? Sem dúvidas. Evoluímos? Nem tanto. Lá se foram quase 25 anos e seguimos enfrentando alguns desses desafios.
DESAFIOS QUE PERSISTEM
O mundo mudou muito desde então. Somos a sociedade digital, fazemos negócios e nos conectamos pelo celular, a mobilidade avança em novas formas, o carro ganha outros usos. Mesmo com tantas mudanças, infelizmente ainda encontro muitas características desta cultura ultrapassada nas empresas.
A questão é que, para manter a relevância no novo contexto, precisamos sacudir a poeira, eliminar antigos hábitos e criar um ambiente organizacional favorável à inovação. Quando o tema são novos modelos de negócio, as grandes companhias que dominaram o começo da minha carreira, nos anos 1990, dão espaço às startups e a novos conglomerados – principalmente do setor de tecnologia.
A hierarquia rígida estremece diante do crescimento da demanda por ambientes colaborativos e de construção coletiva de conhecimento nas empresas. O home office ganha espaço como ferramenta de produtividade e de bem-estar. A busca por mais diversidade se contrapõe àquele antigo cenário que repelia quem era diferente. A inovação deixa de ser uma palavra restrita à tecnologia e engenharia para ser vista como uma habilidade humana. Este olhar para a potência de cada indivíduo talvez seja a grande virada.
As pessoas passam a ser o centro dos negócios. Afinal, são elas que fazem o organismo empresarial funcionar bem e, na outra ponta, também compram e usam os produtos. Não existe mercado e não existem negócios. Existem pessoas – se não tivermos isto em foco, perdemos o ponto.
E O SETOR AUTOMOTIVO NO NOVO CONTEXTO?
A segunda edição da inédita pesquisa Liderança do Setor Automotivo, realizada este ano por Automotive Business, em parceria com a Mandalah e com a MHD Consultoria, revela bastante sobre a cultura do setor automotivo. Segundo o estudo, a maioria das pessoas que estão no comando, construindo a nossa indústria hoje, ainda carrega o bom e velho “foco em resultado” como valor mais importante no trabalho.
Inovação está no discurso da maioria da liderança como algo essencial para a empresa, porém, quando questionados sobre os desafios de seu atual cargo, o tema desaparece. O foco está no curto prazo. Como diz Walter Longo, há mais medo do fim do dia do que do fim do mundo.
Está na hora de virar este jogo. E a minha proposta é que a liderança assuma o protagonismo não apenas dos próprios negócios, mas do atual momento em que enfrentamos a maior ruptura do setor automotivo e o avanço rápido a nova mobilidade. Vamos fomentar a colaboração, buscar mais diversidade nas empresas, ampliar o pensamento e, enfim, inovar.
Esta é a busca que levamos ao #ABX20 – Automotive Business Experience, que acontece em 27 de maio, em São Paulo. É um evento que materializa, em um dia, todos estes conceitos essenciais que precisam permear as empresas automotivas e de mobilidade. Um encontro de lideranças, futuras lideranças, pensadores, estudiosos e profissionais visionários.
O objetivo é olhar o hoje e o amanhã, entender para onde vamos e inspirar a criação das soluções mais incríveis. Porque ao juntar pessoas, queremos fomentar grandes negócios – lembrem-se: a revolução é, antes de tudo, humana.