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Giovanna Riato, AB
As vendas de veículos avançaram 3,3% em 2011 na comparação com 2010, para 3,63 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Os dados do Renavam foram divulgados pela Fenabrave, federação dos distribuidores de veículos, na quarta-feira, 4. Somados os emplacamentos de motocicletas, o mercado avançou 4,7%, para 5,57 milhões de unidades.
O volume emplacado no ano foi recorde mas ainda assim o crescimento ficou abaixo do projetado pela entidade, que chegou a revisar as projeções para cima em julho deste ano, antes do desaquecimento das vendas. A expectativa era comercializar um total de 5,59 milhões de veículos e avançar 5,2% na comparação com 2010. Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave, não enxerga a redução do ritmo de crescimento como um problema. “Ficamos pouco abaixo do esperado. Esta ainda é uma expansão significativa”, avalia. Para ele, o mercado deve recuperar o compasso no próximo ano e crescer 5,7%, para 5,89 milhões de unidades (leia aqui).
O executivo indica que a maior defasagem de 2011 aconteceu no segmento de automóveis, o mais impactado pelas medidas macroprudenciais adotadas pelo governo a partir do fim de 2010 para desaquecer a economia. Houve retração de 0,1% nos licenciamentos do segmento durante o ano, para 2,64 milhões de carros novos. Em contrapartida as vendas de comerciais leves tiveram fôlego extra com o aumento da renda da população brasileira, que ganhou maior capacidade de compra para veículos utilitários, por exemplo. Os emplacamentos da categoria saltaram 14,6% para 776,5 mil unidades.
Mesmo com um volume de antecipação das compras inferior ao esperado, as vendas de caminhões também apresentaram evolução significativa de 9,6%, para 172,6 mil cavalos mecânicos. A Fenabrave projeta ainda que o emplacamento de modelos Euro 3, permitido até 31 de março, poderá impulsionar o setor de pesados no primeiro trimestre do ano. A comercialização de ônibus teve expansão ainda maior, de 21,7% para 34,7 mil chassis.
Dezembro
No último mês de 2011 foram vendidos 348,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O volume é 8,3% maior do que o anotado em novembro e 8,6% inferior ao do mesmo mês de 2010, o recorde do setor. Foram comercializados 326,1 mil veículos leves, com expansão de 7,8% no reajuste mensal e queda de 8,8% no anual. O segmento de pesados somou 19,1 mil emplacamentos em dezembro, com alta de 17,4% sobre novembro e desaceleração de 8,6% em relação ao último mês de 2010.
Nova gestão
Flávio Meneghetti assumiu este ano a presidência da Fenabrave para o triênio que termina em 2014. O novo dirigente tem postura menos severa diante de problemas bastante criticados na gestão anterior, de Sérgio Reze. O executivo avalia que o rapel, emplacamento antecipado de veículos, está diminuindo. “Ainda há umas três marcas que utilizam esse recurso, mas o volume de dezembro de 2011 foi menor do que o de 2010”, explica. Segundo ele, a prática não oferece benefício para a montadora, já que o ganho de market share é neutralizado no mês seguinte, quando o carro é efetivamente vendido mas não aparece nas estatísticas depois de ter sido emplacado.
Meneghetti também mostrou uma postura mais amena em relação às vendas diretas, que ficaram em torno de 30% do total comercializado em 2011. O novo dirigente destacou que a entidade luta para que a rede de distribuição possa comprar veículos com as mesmas condições dos frotistas. “Não somos contras as locadoras, elas são nossas clientes e parceiras também. Queremos apenas que as montadoras ofereçam para nós o mesmo tratamento dão a estes compradores”, defende.
Assista à entrevista exclusiva com Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave:
