
As fábricas brasileiras de veículos encerraram 2019 com 2,94 milhões de unidades produzidas. A alta sobre o ano anterior é modesta, de 2,5%, mas ainda assim este é o melhor patamar desde 2014, segundo a Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no Brasil. “O resultado ficou dentro das nossas projeções e foi alcançado mesmo com a redução das exportações”, conta Luiz Carlos Moraes, presidente da associação.
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No ano, a produção de leves teve aceleração mais tímida, de 2,1% para 2,8 milhões de unidades. Quando se trata de caminhões, houve alta de 7,5% para 114,4 mil veículos. Já o segmento de ônibus encerrou o ano com redução de 3%, somando 27,6 mil chassis. Em dezembro as fábricas reduziram o ritmo e montaram 170,5 mil unidades, com baixa de 25% sobre novembro e de 3,9% na comparação com o mesmo mês de 2018.
“A redução é completamente normal para o período, em que as empresas reduzem o ritmo das fábricas para fazer ajustes e conceder férias coletivas”, pondera o executivo.
Com a diminuição do ritmo das fábricas e o mercado aquecido, em dezembro houve também queda nos estoques de 33 para 38 dias, para 287,6 mil unidades armazenadas entre o pátio das fábricas e a rede de concessionárias.
Com isso, ainda que os produtores de veículos tenham terminado 2019 em ritmo mais lento, a expectativa para 2020 é positiva. A Anfavea projeta aumento de 7,3% em relação a este ano, para 3,16 milhões de unidades produzidas. A perspectiva se baseia na retomada gradual do nível de emprego, na melhora da economia brasileira, da confiança e do ambiente de negócios em geral, esclarece Moraes.
EMPREGO DIMINUI – E NÃO DEVE VOLTAR TÃO CEDO
Apesar de apontar o aumento no nível de emprego no Brasil como fator essencial para a retomada da indústria automotiva, a Anfavea contabiliza que 2019 foi negativo para as fabricantes do setor neste aspecto: o número de trabalhadores das montadoras encolheu 3,7% na comparação com o ano anterior, para 125,5 mil pessoas.
Moraes aponta que o corte de quase 5 mil vagas aconteceu por causa do fechamento da operação da Ford em São Bernardo do Campo. Ele lembra que o volume de contratações tende a aumentar nos próximos anos, conforme a indústria automotiva chega mais perto de seu patamar recorde registrado em 2013, quando foram fabricados 3,71 milhões de veículos no País.
O executivo admite, no entanto, que a automatização das fábricas e o ganho de eficiência nos processos tende a diminuir a demanda por trabalhadores. Então as contratações vão crescer, mas não devem se equiparar ao do ano recorde para a indústria, quando mais de 156 mil pessoas geravam a própria renda ao trabalhar diretamente com a fabricação de veículos.