
No impulso de seu crescimento no mercado nacional nos últimos anos, a empresa anunciou em 2012 que passaria a vender no Brasil veículos de outra marca de caminhões do Grupo. Até o fim de 2014 o projeto estava de pé, porém sem qualquer decisão (leia aqui). A escolha era entre Renault Trucks, Mack e UD. O palpite mais forte era de que a companhia iria complementar a sua oferta no Brasil com uma linha de caminhões mais leves e possivelmente mais simples e acessíveis. A investida equilibraria a gama Volvo, que tem caminhões semipesados e pesados com preços e conteúdo tecnológico elevado.
O projeto, no entanto, não resistiu à decepcionante performance do mercado brasileiro em 2015, quando as vendas de caminhões da companhia caíram expressivos 64% na comparação com o ano anterior, para 6,7 mil unidades, considerando as entregas da fábrica para o mercado, número mais abrangente que o de emplacamentos. Parte das perdas foram compensadas por exportações que responderam por entre 30% dos negócios da empresa no Brasil, com 2,8 mil unidades, volume 10% maior que o de 2014.
Os negócios em outros países da América Latina evoluíram puxados pela demanda do Peru, Chile, Argentina e Colômbia. A fábrica nacional da empresa, em Curitiba (PR), abastece cerca de 30 países. “Para este ano esperamos que estes negócios continuem rentáveis. Com o novo governo, a Argentina tem mostrado reação muito positiva.” Na análise do executivo, o Brasil não seguirá o mesmo caminho. Segundo ele, não há sinais de reversão da trajetória de descendente. “O mercado deve cair mais um pouco, em torno de 15% para o segmento de semipesados e pesados, para 35 mil unidades”, complementa Bernardo Fedalto, diretor comercial da Volvo Caminhões.
INVESTIMENTOS CONCLUÍDOS
Diante do cenário adverso, a companhia não planeja novo investimento para a operação local. “Vamos concluir este ano os aportes em curso e depois faremos apenas investimentos de manutenção. Quando planejamos as ampliações que fizemos, há cerca de cinco anos, pensávamos em um mercado com pelo menos o triplo do tamanho atual”, admite Morassutti.
A empresa anunciou pacote de US$ 500 milhões em 2013 e outro de US$ 320 milhões em 2014. O montante atendeu às modernizações feitas na fábrica de Curitiba, além de ter sido aplicado na renovação da linha de caminhões Volvo.
O executivo não entra em detalhes sobre o baixo aproveitamento da capacidade produtiva da unidade, apenas aponta que, quando se trata de mão de obra, há excedente de 15% a 20% na força de trabalho da planta, que tem 3,4 mil colaboradores no total. No ano passado a empresa já enxugou 600 vagas por meio de Programa de Demissão Voluntária.
Ainda assim, com a perspectiva de queda das vendas, novas medidas devem ser adotadas para reduzir a produção. “O nosso acordo com o sindicato dos metalúrgicos da região termina em março. A partir daí devemos começar a negociar soluções”, aponta Morassutti. Ele diz que todas as possibilidades serão levadas em conta, incluindo layoffs e PPE. Por enquanto, a única medida adotada foi a criação de um banco de horas que permitiu paradas na fábrica entre 7 de fevereiro e 22 de fevereiro.
O executivo não prevê retomada do mercado nacional de caminhões aos patamares elevados vistos recentemente. Ainda assim, ele lembra que o Brasil permanece como o segundo maior mercado para a Volvo no mundo. “Nos últimos anos entregamos os melhores resultados do Grupo no mundo todo. Agora estamos em uma posição diferente e vamos dar conta do recado”, resume Morassuti.
Assista à entrevista exclusiva com Carlos Morassutti, presidente interino do Grupo Volvo América Latina:
