
Com o encerramento de maio, a Anfavea, associação que reúne as fabricantes de veículos, começa a contabilizar os efeitos deixados pela greve dos caminhoneiros, que começou no dia 21 e se estendeu até meados da última semana do mês. Assim como outros setores da economia, o automotivo foi impactado pelo movimento, resultando em vendas de veículos abaixo do esperado para o período.
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“Era para termos emplacado 227 mil veículos em maio, o que não ocorreu devido a greve dos caminhoneiros”, lamenta o presidente da entidade, Antonio Megale, durante a apresentação dos resultados da indústria em coletiva realizada em São Paulo, na quarta-feira, 6.
Os números do mês mostram que a venda diária diminuiu na semana que iniciou no dia 21, quando a greve começou: a média ficou em 9,2 mil unidades por dia útil contra 9,9 mil nos dias úteis da semana anterior, entre 14 e 18 de maio. A Anfavea lembra que, geralmente, o início de cada mês é mais lento e aos poucos as vendas vão ganhando ritmo maior, no entanto esta lógica fugiu dos padrões em maio. Além disso, há outras variantes: vale lembrar que o último dia do mês passado foi um feriado nacional, o que diminui ainda mais o movimento do mercado.
Com isso, o resultado de emplacados no mês ficou em 201,8 mil, cerca de 25,1 mil unidades a menos do que o previsto pela indústria, considerando a soma de veículos leves e pesados. Com isso, o volume de maio foi 7,1% menor que o de abril, quando o mercado absorveu 217,3 mil unidades novas: os dois meses tiveram o mesmo de número de dias úteis (21). Já na comparação com maio de 2017, houve crescimento de 3,2%.
Megale explica que as empresas esperavam um crescimento bastante forte para o primeiro semestre, mas a paralisação que acabou envolvendo todo o País atrapalhou o andamento dos negócios. No entanto, a Anfavea preferiu manter as projeções de vendas para o ano, pelo menos por enquanto: em janeiro, as fabricantes disseram que para 2018, as vendas de veículos devem alcançar a casa das 2,5 milhões, o que representaria um aumento de 11% sobre o resultado feito em 2017, de 2,24 milhões. Segundo o dirigente, a entidade deve rever as previsões após o fechamento do primeiro semestre.
Isso porque a greve não afetou o resultado do acumulado do ano, que continua positivo: de janeiro a maio, os emplacamentos já são 17% do que iguais meses do ano passado, ao somar mais de 964,7 mil unidades, entre leves e pesados. No entanto, embora as fabricantes considerem este como um ano de recuperação e crescimento, o mercado ainda não atingiu a média de vendas para o período, que é de 1,2 milhão de unidades. O histórico dos resultados mostram que este é o terceiro pior janeiro a maio dos últimos 10 anos.
“Não fizemos a conta para averiguar as perdas em valores causadas pela greve. No caso do mercado, precisa avaliar se os consumidores deixaram de comprar naquele momento, se decidiram adiar a compra, porque este é o tipo de fato que cria uma instabilidade na confiança”, comenta Megale. “Hoje, ainda não temos essa contabilização, porque temos grande expectativa de recuperação nos próximos meses”.
O executivo afirma que a indústria já observa uma normalização das atividades nesta semana pós-greve e que os carros voltaram a chegar nas concessionárias. “O nível de emplacamentos em junho já melhorou: registramos 10 mil e 9,5 mil na segunda e terça. Este será um mês de gradual volta à normalidade, com mais clareza da situação em mais alguns dias”, completa.
Assista ao balanço dos resultados da Anfavea: