
A nova legislação de emissões para máquinas fora de estrada teve sua primeira etapa em 2015, mas segue avançando em mais segmentos até 2019, quando todos os equipamentos vendidos no Brasil deverão se adequar. Para acompanhar esta evolução, a FPT aponta ter adaptado 49 motores às regras ao longo do ano passado. “Foram horas e horas de desenvolvimento para chegar a novas calibrações. Tropicalizamos algumas coisas, já que a Europa está em estágio mais avançado do programa de emissões, mas também usamos tecnologias locais.”, conta Rangel.
As novidades serão apresentadas na Agrishow, principal feira do setor agrícola que acontece entre 25 e 29 de abril. A participação da empresa na feira, tradicionalmente feita apenas por meio de seus clientes, será maior nesta edição. “Teremos tenda própria para apresentar nossos motores”, antecipa. Além disso, os propulsores da companhia estarão no espaço de empresas como Case e New Holland, empresas que também fazem parte da CNH Industrial, assim como a FPT. Outro cliente da fabricante de motores é a Landini, especializada em tratores pequenos a médios.
AUMENTO DA PARTICIPAÇÃO
Rangel aponta que o segmento de máquinas fora de estrada vem ganhando mais participação nos negócios da empresa e já responde por 40% das receitas. O porcentual reflete o encolhimento das vendas ao segmento de caminhões, mas também um aumento de participação da FPT, que tomou espaço dos concorrentes. A empresa responde por 20% de motores diesel pesados vendidos na América Latina, parcela que vem crescendo com a ajuda do segmento agrícola, aponta a companhia.
“Conquistamos novos clientes menores e estamos aumentando o nosso fornecimento para a Case”, aponta Rangel. Segundo ele, até o fim deste ano a FPT entregará 100% dos motores das máquinas da companhia. Este volume era de 80% até então.
As vendas ao segmento agrícola encolheram 10% no ano passado, redução que deve se repetir em 2016, segundo projeções da empresa. Ainda assim, a baixa é menor do que a do mercado de forma geral. “Vamos ganhar espaço com os lançamentos”, prevê Rangel. A diversificação da atuação, segundo o executivo, é estratégica para a América Latina. Dessa forma, a empresa destina esforços ainda para impulsionar as vendas ao segmento marítimo e de geração de energia.
BRASIL SEGUE NO TOP 10
Rangel aponta que o abalo político não tira o Brasil do topo da lista de mercados globais mais importantes para a FPT Industrial. “Em qualquer ranking o Brasil está no top 10”, avalia. Segundo ele, há alto potencial para o avanço tecnológico no setor agrícola. Além disso ele enfatiza que o País tem grande necessidade de melhoria da infraestrutura, o que vai movimentar a economia no futuro. Para Rangel, basta o cenário ficar um pouco mais definido para os negócios voltarem a crescer.
O objetivo da FPT é preparar o terreno para colher bons resultados quando a curva de queda se reverter. No segmento de caminhões a empresa desenvolveu três motores para equipar a nova linha daIveco, com potências de 440 e 480 cv. A companhia segue com as entregas para a Caoa e a Ford.
Está em curso ainda um programa para aumentar a nacionalização dos propulsores, que já está em torno de 65%. “É uma iniciativa contínua, mas que se intensificou recentemente no Brasil e na Argentina”, aponta o executivo.
