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Com mortes em alta, São Paulo inaugura Faixa Azul para motociclistas

Objetivo é reduzir em 30% o número de acidentes fatais
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Victor Bianchin

26 jan 2022

2 minutos de leitura

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Na terça-feira, 25, data do aniversário da cidade de São Paulo, a prefeitura inaugurou a Faixa Azul, uma via dedicada a motocicletas na avenida 23 de Maio com 5,5 km de extensão. O objetivo é reduzir em 30% o número de mortes de motociclistas na via.

A faixa, que existe apenas no sentido bairro, foi implementada em um espaço que já era usado pelos motoqueiros na avenida. Portanto, segundo a prefeitura, ela não altera a dinâmica já existente na via. Apesar de ser voltada a motos, seu uso não é exclusivo para esses modais (bicicletas podem usar também) e sua adoção não é obrigatória, ou seja, os motociclistas poderão continuar usando as faixas comuns.

Dentro da Faixa Azul, vale o mesmo limite de velocidade do resto da avenida, 60 km/h. Além disso, ela fica afastada do canteiro central, para evitar contato com pedestres, e é estreita, para evitar ultrapassagens. Essa iniciativa marcará a primeira vez que a cidade de São Paulo terá sinalizações e placas específicas para motociclistas.

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT) afirma que a avenida 23 de Maio foi escolhida para o projeto piloto por ser muito utilizada pelos motociclistas. Segundo o órgão, por ali circulam 2.400 motos por hora, chegando a 50 mil ao dia, com 78% dos sinistros no local envolvendo esse modal. 

Experimentos anteriores

Não é a primeira vez que a capital paulista tenta um projeto do tipo. A primeira faixa exclusiva para motos surgiu em 2006, na avenida Sumaré, e não deu certo: no primeiro ano, os acidentes com motociclistas ali aumentaram 86,9%. Em 2010, uma nova iniciativa, desta vez na rua Vergueiro, também fracassou, com o número de atropelamentos subindo 575% em três anos e o de acidentes, 158%. Em 2014, o prefeito Fernando Haddad desativou todas as faixas exclusivas.

Segundo a prefeitura, a diferença da nova faixa é que ela usa um espaço por onde os motociclistas já circulam, em vez de forçar essas pessoas a circular em outro espaço. 

O contexto da implementação da faixa é importante: com a pandemia de covid-19, o número de pessoas trabalhando com entregas aumentou – a cidade tem hoje algo entre 70 mil e 280 mil motociclistas entregadores. As mortes no trânsito para esses motoristas vêm aumentando: 394 motociclistas morreram no trânsito em São Paulo em 2021, 16% a mais do que no ano anterior, segundo a CET. Além dos casos com óbitos, houve 6.548 acidentes graves que deixaram os envolvidos com sequelas.