
Segundo o executivo, o novo regime, que pretende estimular a produção nacional e o investimento em pesquisa e desenvolvimento, foi bem elaborado, contudo é difícil de ser compreendido. “É bastante complexo e contém 36 artigos. As pessoas vão demorar para entender tudo o que está sendo exigido. E espero ao menos que ele não mude nos próximos cinco anos de vigência, deixando um tempo para que surjam resultados. Afinal, não dá para exigir do Brasil o que a Europa levou quatro anos para fazer.”
A FÁBRICA E MODELOS
Habib também disse durante o congresso que está mantido o investimento de R$ 900 milhões na fábrica nordestina, sendo que 80% deste capital será bancado por sua empresa, importadora oficial dos veículos JAC no Brasil. A previsão é de que a unidade gere 3,5 mil empregos diretos, 10 mil indiretos e tenha capacidade produtiva de 100 mil veículos por ano, em área construída de 75 mil metros quadrados.
Quatro modelo estão programados pera Camaçari: um hatchback, que dará origem a uma versão cross, depois um sedã e um SUV pequeno, nesta ordem, segundo disse pela manhã da quarta, em outro painel do Congresso, Marcelo Sorato, diretor de manufatura da JAC Motors Brasil. Embora sejam projetados sobre a mesma plataforma do J3, serão carros desenvolvidos especificamente para o mercado brasileiro. O próprio Habib acompanha de perto o desenvolvimento, com viagens constantes para aprovar design e equipamentos.
Segundo Sorato, os contratos com fornecedores devem ser firmados durante o primeiro semestre de 2013. O design definitivo das peças do novo veículo fica pronto em março do ano que vem e o começo da produção na fábrica está marcado para 1° de outubro de 2014.
Habib falou das vantagens de se ter uma fábrica de origem chinesa no Brasil: “As fabricantes chinesas, por serem novas, não são burocráticas, mas sim flexíveis e com uma tremenda capacidade competitiva. Na JAC, somos em apenas 20 engenheiros trabalhando em parceria com chineses, coreanos, que fazem cálculos numéricos dos carros, e designers italianos. E não temos nenhum comitê para aprovar nossos veículos. Levaremos no máximo dois anos para construir a fábrica e começarmos do zero as nossas operações. Agora veja a Ford, nossa concorrente em Camaçari, por exemplo. Demorou 25 meses do começo de sua obra à produção do EcoSport. Ela teve a vantagem em relação à experiência com fornecedores e operários no Brasil. Levou, inclusive, profissionais de São Bernardo do Campo para implementar um carro que já existia em uma unidade totalmente nova.”
Para agilizar sua produção, a JAC terá sistemistas alocados próximos à unidade fabril, que já foram anteriormente atraídos pela Ford. O presidente não revela com quais fornecedores já foram fechados contratos, mas citou que na China a JAC é parceira da Delphi para injeção eletrônica, da Bosch para freios ABS, da Continental para fornecimento de borrachas e da Visteon para painéis.
Habib conclui sobre como deve ser vista pelos concorrentes a vinda das chinesas ao Brasil: “Com a chegada da JAC e da Chery, com capacidade produtiva de 100 e 70 mil unidades por ano, as outras montadoras não serão afetadas. Tem mercado para todo mundo.”