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Com política linha dura, Stellantis piora relação com fornecedores nos EUA

Autopeças interrompem entrega de componentes e param fábricas da montadora no país
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Redação AB

17 abr 2024

3 minutos de leitura

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A Stellantis enfrentou paralisações de fábricas nos Estados Unidos e atrasos nas entregas de veículos nas últimas semanas devido à recusa de fornecedores em enviar peças em protesto contra os custos. Segundo a “Automotive News”, a fabricante das marcas Jeep, Chrysler, Dodge e Ram adotou uma política linha dura com as autopeças, que buscam alívio de custos inflacionários.

A medida, no entanto, teve uma reação e alguns fornecedores pararam de enviar componentes. Pelo menos dois fornecedores de “Nível 1” suspenderam o envio de peças para a montadora nas últimas semanas devido a disputa de preços.

A reportagem cita ações judiciais no Tribunal do Condado de Oakland movidas pela FCA, antigo nome da Stellantis, cuja sede na América do Norte fica perto em Auburn Hills, nos arredores de Detroit (Michigan).


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Em um dos casos, um juiz ordenou ao fornecedor de fixadores que retomasse o envio no fim de fevereiro, após a parada de produção em Toledo, onde são fabricados os Jeep Wrangler, Wrangler 4xe e Gladiator.

Em outra ação, em 11 de abril, a justiça negou a moção da montadora para forçar um fabricante de engrenagens e pinhões a continuar vendendo. Cortar o fluxo dessas peças poderia, já na segunda-feira, causar o fechamento das fábricas da Stellantis em Kokomo (Indiana), que produzem transmissões para a Ram 1500, os Jeep Wrangler e Grand Cherokee, os Dodge Charger e Durango e a Chrysler Pacifica. 

“Se não for remediado rapidamente, o impacto financeiro na FCA será catastrófico e causará dezenas, senão centenas, de milhões de dólares em danos com a paralisação”, disseram os advogados da montadora em um pedido de ordem de restrição temporária, que foi negado.

Discussões com fornecedores na Justiça

Os advogados do lado do fornecedor chamam os processos de uma “falsa” emergência que foi gerada pela recusa de negociações por parte da montadora. A posição da Stellantis é que os fornecedores não podem rescindir contratos de longa data, por mais desfavorável que o acordo possa ter se tornado nos últimos anos.

“É extremamente decepcionante que tenhamos de usar o sistema judicial como último recurso para resolver alguns desses problemas de fornecedores que fecham nossas fábricas e atrasam as entregas de veículos aos nossos clientes”, disse um porta-voz da Stellantis à Automotive News. 

As disputas expõem a frágil interconectividade da cadeia de abastecimento de veículos e o relacionamento tenso entre a Stellantis e os seus fornecedores.

Política da Stellantis piora relação com fornecedores

Essa relação tem sido cada vez mais conturbada desde a fusão entre a FCA – Fiat Chrysler Automóveis e a PSA Peugeot Citroën, em 2021, disseram executivos de fornecedores e especialistas do setor ao site.

O CEO da Stellantis, Carlos Tavares, sugeriu planos para adotar uma postura mais dura com os fornecedores no verão passado, quando disse aos repórteres que a redução dos custos de produção era uma prioridade fundamental.

A nova política da montadora atraiu a ira dos fabricantes de autopeças, com um executivo chamando-a de “abominável”. Outros executivos disseram à “Automotive News” que o relacionamento com a Stellantis se tornou “tóxico”, a ponto de considerarem encerrar negócios com a montadora ou não entrar em novos projetos.

A Stellantis disse que, nos últimos anos, a empresa assumiu as pressões inflacionárias sobre os fornecedores, para reduzir custos. A empresa disse que continuará a “avaliar e refinar rigorosamente as nossas operações em toda a empresa” em busca da sustentabilidade da competitividade de preços.

“Muitos dos nossos parceiros compreendem que, para superar os desafios da acessibilidade dos veículos, devem operar com o mesmo nível de compromisso para reduzir os seus custos”, declarou a Stellantis em nota.

“No entanto, alguns fornecedores estão ameaçando interromper a nossa produção, continuando a exigir aumentos substanciais de preços. Tais ações minam o espírito colaborativo necessário para encontrar oportunidades de reduzir e absorver custos, a fim de manter a acessibilidade para os nossos clientes.”