logo

Combustíveis: ordem é economizar

A relativa calmaria no mercado internacional do petróleo – queda de até US$ 20,00 no preço do barril – reflete os resultados já esperados. A queda do consumo de combustível nos EUA e em outros países maduros diminuiu a pressão sobre os preços. Além disso, as vendas de veículos novos despencaram 12% nos EUA e em percentuais variados na Europa, no primeiro semestre. Portanto, desmonta-se a tese da especulação para explicar os aumentos expressivos dos últimos 12 meses.
O mundo entendeu que precisa mudar na área de transportes. Os americanos estão comprando menos picapes e utilitários pesados e partindo para automóveis e veículos mais leves. Na Europa, carros subcompactos nunca venderam tão bem. O recente progresso na tecnologia das baterias – peso menor, densidade de carga maior – permite algum avanço na oferta de modelos híbridos (motores a combustão e elétrico) e mesmo os puramente elétricos.
A área de biocombustíveis desperta cada vez mais interesse. Uma empresa americana, Gevo, pesquisa um novo tipo de álcool, o isobutanol. Entre as vantagens, em relação ao nosso etanol, estão o poder calorífico equivalente ao da gasolina, o custo só um pouco mais elevado e também servir como matéria-prima para biodiesel, bioquerosene de aviação e plásticos. Para o Brasil é um grande negócio porque essa tecnologia é bem mais eficiente a partir de álcool de cana-de-açúcar. Os investimentos nas atuais destilarias seriam relativamente baixos. Os estudos ainda levarão dois anos até chegar à escala comercial.
O isobutanol pode ter implicações mesmo na Europa, onde o diesel avançou entre os automóveis. Basta tomar o exemplo da Itália. Em 1980, o diesel – essencial em caminhões e ônibus – custava 55% menos que a gasolina. Mês passado, o diesel era vendido ligeiramente mais caro que a gasolina. O fenômeno ocorre em todos os países europeus em menor ou maior grau. O transporte de bens encareceu e os automóveis ainda subiram de preço porque a tecnologia para “limpar” motores diesel é cara e complicada. Estratégia pouco inteligente.
No Brasil, a boa notícia é que, finalmente, a etiquetagem de consumo de combustível começa em 2009. Coordenado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), o programa será lançado no próximo Salão do Automóvel de São Paulo (30/10 a 9/11), com dois anos de atraso. Uma das razões foram mudanças nos motores para a nova fase de emissões, a partir de janeiro.
Também causou muita discussão o enquadramento dos modelos. Optou-se pela área projetada no solo (comprimento vezes a largura) e oito categorias: subcompactos, compactos, médios, grandes, esporte, fora-de-estrada, picapes pesadas e leves. O programa é voluntário, mas cada marca informará o consumo de pelo menos metade dos modelos nacionais e importados à venda. A etiqueta trará esses dados e um gráfico de barras para o comprador conferir se o carro está acima ou abaixo da média da categoria.
É importante o País incluir, também, metas de diminuição de consumo, como o resto do mundo. Os fabricantes preferem desconversar. O programa de etiquetagem, porém, pode significar o primeiro passo nessa direção.
Alta Roda nº 484
[email protected]
Author image

cria

06 ago 2008

3 minutos de leitura