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Marcelo de Paula
Ouve-se muito sobre redução de emissões de poluentes dos automóveis. Veículos movidos a etanol, biodiesel, híbridos ou totalmente elétricos surgem como alternativas aos combustíveis baseados nos hidrocarbonetos. Mas e o que a indústria aeroespacial está fazendo para atender às novas exigências ambientais? Nesse setor a onda é o combustível drop-in.
Trata-se de um biocombustível que mantém características semelhantes ao querosene de aviação. Obviamente, ele permite drásticas reduções dos níveis de emissão de CO2, mas sem a necessidade de qualquer mudança na estrutura do motor, tanto no que diz respeito ao seu funcionamento quanto aos componentes usados.
Segundo o engenheiro de desenvolvimento de combustíveis alternativos da Embraer, Luiz Nerosky, o drop-in, tem o mesmo desempenho do querosene tradicionalmente usado. “O que a indústria busca é não ter alteração na aeronave, mas com benefícios econômicos e com baixo impacto ambiental”, disse Nerosky, durante o painel “Inovação no Desenvolvimento de Aeronaves”, realizado no primeiro dia do Congresso SAE Brasil.
Em parceria com a Azul, General Eletric e Amyris a Embraer participa do desenvolvimento de um combustível drop-in baseado na cana-de-açúcar. A tecnologia é da Amyris, que mudou geneticamente a levedura de forma que, ao invés de o produto da cana ser o álcool, seja um hidrocarboneto. No início de 2012 será feito um teste com o novo combustível usando um avião da Embraer.
Vant – Outro assunto abordado durante o painel foi com relação ao desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados (Vant). São aviões que não precisam de pilotos em suas cabines, pois o controle é feito remotamente do solo. Esse tipo de aeronave ficou bastante conhecido durante a guerra do golfo, quando os Estados Unidos a utilizavam para observar alvos e também espionar o deslocamento das tropas inimigas.
Trata-se de um veículo muito usado também pelas forças armadas de Israel, país que forneceu algumas unidades para a Polícia Federal Brasileira, que usará o veículo para combate ao narcotráfico e fiscalização de fronteiras.
Para quem não sabe, o Brasil possui tecnologia para produção desse tipo de veículo. Segundo, Flávio Araripe, coordenador do Programa Vant, do DCTA, alguns veículos já foram produzidos, inclusive por empresas privadas, mas na época não houve interesse comercial.
Recentemente, o próprio DCTA, em parceria com a Avibras e as Forças Armadas Brasileiras, investiu num projeto financiado pelo Finep conhecido com “Projeto Vant”, que custou R$ 27 milhões, sendo R$ 9 milhões do Finep.
“O objetivo era dominar a navegabilidade do veículo. Foram 59 voos experimentais, que comprovaram o pleno funcionamento de itens como piloto automático, softwares, entre outros. Agora, vamos desenvolver um Vant de 11 metros de envergadura. Será um avião de reconhecimento”, declarou Araripe.
Os Vants têm várias utilidades, tanto civis quanto militares e a expectativa é de que no futuro, possa-se fazer vôos comerciais sem necessidade de piloto. “A tecnologia já existe. Mas não há confiabilidade ainda. Precisa certificar primeiro”.