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Começando a pensar

O aumento contínuo e quase explosivo das vendas de automóveis tem levado a imprensa a questionar, com insistência, se as ruas e avenidas brasileiras vão entrar em colapso. Essa, na realidade, é uma questão que preocupa, mas estamos longe do apocalipse: um grande nó capaz de deixar os veículos imobilizados por um dia inteiro. Já se produziu até um filme no exterior sobre o tema – no campo da ficção, claro. Improvisação e falta de planejamento andam unidas e acrescentando uma dose dupla de incompetência, formam o coquetel que faz os cidadãos perderem horas preciosas no trânsito e até criar condições para doenças oportunistas.
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cria

18 mar 2008

4 minutos de leitura

Conforme já citado nessa coluna, o primeiro problema é o tamanho real da frota. O noticiário costuma destacar o número de licenciamentos diários, mas ninguém sabe informar quantos veículos deixam de circular definitivamente ou se deslocam, na medida em que envelhecem, para periferias ou cidades menores. Outro se concentra na malha viária. Ainda há pessoas que cunham frases infelizes: “Viadutos só ligam dois pontos de congestionamento”. Talvez nunca tenham notado os viadutos superpostos ou em espiral em Tóquio. Sim, faltam passagens subterrâneas e viadutos em número suficiente nas grandes e médias cidades brasileiras.

Os congestionamentos não estão mais segregados em São Paulo. Rio, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e até a planejada Brasília, entre outras, sofrem desse mal. Em todas falta o óbvio: construção ou ampliação do metrô. São Paulo e Paris têm densidade próxima de habitantes/veículo, mas a malha férrea subterrânea é três vezes superior na capital francesa. Sinais de trânsito computadorizados exigem ampliação – no caso paulistano, precisam voltar a funcionar na plenitude. Verbas existem para radares e quase nada para fluidez do trânsito.

Rodízio por final de placas faz parte do jeitinho que nunca dá certo. A experiência ruim de São Paulo ameaça se expandir para outros centros. Quando o Conselho Estadual de Trânsito começa a apontar a ilegalidade da ausência de sinalização do rodízio, os seus membros são substituídos. Quebra-se o termômetro, em vez de curar a febre. Afinal, nenhum administrador quer perder a arrecadação fácil, multando quem deixa de respeitar regras de circulação inviáveis. Pedágio urbano seria menos traumático e mais eficiente, além de gerar receita transparente para investir em planejamento, equipamentos e obras.

Por trás dos recentes congestionamentos está a falta de coragem política para implantar inspeções veiculares. Panes inaceitáveis em ônibus responderam por boa parte dos engarrafamentos recentes em São Paulo. Na Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) faltam fiscais, viaturas, sistema de comunicação, guinchos, câmeras de monitoramento. Nenhum helicóptero está disponível para a CET – para quê, se existem os das rádios e tevês?

Depois do clamor público, as cabeças começaram a pensar. Há planos de eliminar cerca de 200 lombadas e valetas que, só agora, descobriram ser um empecilho ao fluxo normal. E também, quem sabe, restringir o estacionamento em horários de pico. Que outras cidades aprendam, com São Paulo, como não administrar o trânsito.
NEGÓCIOS DA FPT AVANÇAM COM A TRITEC
Planos ambiciosos da FPT (subsidiária da Fiat) depois de comprar da Chrysler a Tritec, fábrica de motores no Paraná. Voltarão a ser exportados no final do ano, assim que a fábrica retomar a produção, parada há nove meses. Antigos – chineses – e novos clientes estão em vista. Além de versões flex, haverá opções de cilindrada. Motores são adaptáveis em modelos de diferentes marcas (Fernando Calmon, Alta Roda, 18 de março).
ISENÇÃO DE IPI TAMBÉM PARA ARGENTINOS
Confirmando informação da coluna, governo encaminhou projeto à Câmara dos Deputados estendendo isenção de IPI a táxis e carros para deficientes físicos de origem argentina. Fica sem sentido manter legislação em conflito com a do Mercosul, apesar dos argentinos ainda temerem livre comércio. SpaceFox, pelo bom porta-malas, irá bem como táxi (Fernando Calmon, Alta Roda, 18 de março).
DIFICULDADES PARA IMPLANTAÇÃO DO CHIP
Está atrasada, por razões técnicas, implantação do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos. Chip a ser colado no pára-brisa terá função de controle da frota e de impostos. Versão moderna das antigas plaquetas anuais. Existe, porém, problemas com tecnologia, antenas e outros mais complicados do que pareciam. Sem previsão de solução (Fernando Calmon, Alta Roda, 18 de março).
COM CHUVA, MARCAS FRANCESAS SÃO MELHORES
Com tanta chuva em março, é bom conhecer os melhores, por segmento, no ranking criado pelo Centro de Experimentação e Segurança Viária. Trata do índice de danos em enchentes. Peugeot 206 (hatch e station), 307 (hatch, sedã e station), Picasso, Idea, Doblò, Montana, Logan e Tracker. Trocadilho à parte, marcas francesas deram um banho nos concorrentes (Fernando Calmon, Alta Roda, 18 de março).
A ARMADILHA QUE O GNV PODE TRAZER
Recente explosão de um carro a gás em túnel, no Rio de Janeiro, mostra riscos de programa mal planejado. Cilindro armazena GNV a nada triviais 220 bares de pressão (1 bar, pressão atmosférica). Controles de instalação e inspeção são frouxos e muitos pensam mais no bolso do que na segurança. Resultado: vazamento, incêndio e o pior. Por sorte ninguém se feriu (Fernando Calmon, Alta Roda, 18 de março).
Alta Roda nº 464
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