Na realidade, o programa paulistano até que começou de forma correta, no ano passado, vistoriando veículos a diesel. Porém, houve equívocos e grande evasão que a prefeitura, convenientemente, deixou de revelar com clareza. Proprietários se queixam de prejuízos por inexperiência dos inspetores que insistiam nos testes, mesmo os motores dando sinais de debilidade mecânica. O correto seria continuar, por mais um ou dois anos, a fim de se ajustarem procedimentos, antes de ampliar o programa para automóveis e motocicletas.
Uma decisão política, totalmente equivocada, foi iniciar as vistorias agora em fevereiro pelos automóveis novos e seminovos. Nenhum argumento da Secretaria do Verde e Meio Ambiente se sustenta. Do ponto de vista educacional a medida é inócua porque antes da conscientização vem a capacidade financeira do dono do carro. Sem negar a importância de cuidar do ar que respiramos – não vai aqui nenhuma ironia –, há um dilema recorrente. Quem possui um automóvel de mais dez anos, por exemplo, vai gastar R$ 400,00 para colocar quatro pneus novos ou trocar o catalisador? Como convencê-lo sem nenhum apoio financeiro? Vai retirar o carro de circulação e leiloar como sucata?
Outra determinação inadmissível, que nenhum país do mundo civilizado tomou, foi obrigar carros com menos de três anos de uso a passar por inspeção ambiental. Situação bizarra: sistema antipoluição desenvolvido pelos fabricantes é certificado no mínimo por cinco anos ou 80.000 km. Automóveis emplacados em dezembro último, com placas de final 1, terão que ser vistoriados a partir de fevereiro! Sob ameaça de multa de mais R$ 500,00 e sem direito ao futuro licenciamento.
Em 2008, a prefeitura ordenou um programa de sensoriamento remoto de emissões no intuito de levantar o perfil poluente da frota paulistana. Os resultados existem, mas nunca foram divulgados. Obviamente porque os automóveis referidos cumpriam a legislação.
Existe suspeita de que se tomou a decisão esdrúxula com o objetivo de os donos dos veículos de maior poder aquisitivo “financiarem” a construção das estações de inspeção. A taxa será devolvida no primeiro ano. E nos outros? De qualquer forma é desperdício do dinheiro público à custa de incalculáveis aborrecimentos e perda de tempo dos motoristas.
Posição decepcionante mostrou a Anfavea que deveria ter se pronunciado, pelo menos em respeito aos clientes das fábricas. Quando questionada, limitou-se a comentar que “o importante é começar as inspeções”. Sem dúvida, mas o bom senso obriga que, antes de tudo, deva-se começar certo.
RODA VIVA
MOMENTO atual é de acenos entre grupos automobilísticos como partida de um processo de consolidação aparentemente irreversível. Investir em segurança e baixas emissões, sem grande encarecimento do produto e enfrentado a crise econômica, está na ordem do dia. Aliança BMW e PSA Peugeot Citroën tem tudo para dar certo. E pode nem demorar.
PREÇO de produção competitivo. A razão da FPT, subsidiária de motor e câmbio da Fiat, acelerar o desenvolvimento de uma versão de 1,8 L do motor de 1,6 L. Este, em breve, sairá das instalações adquiridas da Tritec, no Paraná. Como se trata de motor mais moderno que o de 1,84 L (do Linea), vindo da Argentina, terá aplicação em vários modelos da marca italiana.
FIT ficou maior, com estilo bem interessante e motor mais potente de 1,5 L/116 cv. Câmbio automático tira um pouco do brilhantismo do motor, apesar da resposta imediata do comando sequencial no volante. Estão no painel, comandos e instrumentos – tudo à vista e à mão – alguns dos pontos relevantes. Honda tem se destacado por interiores cada vez melhores.
NAVEGADOR XL, da holandesa TomTom, faz jus à fama. Resolução da tela larga (4,3 pol), rapidez ao recalcular rota e captação do sinal de satélites, além da fixação ao para-brisa, impressionam. Peca só por atualização dos mapas, tanto no Brasil como no exterior, como testado pela coluna. Para amenizar, podem-se partilhar correções no site da empresa.
ADIADO para 20 de março estreia de Gran Torino, dirigido e estrelado por Clint Eastwood. Filme imperdível, não apenas pela atração da história como pelo automóvel da Ford, parte essencial do roteiro. Rodado em Detroit, o drama espelha, em parte, as razões das dificuldades hoje vividas pelos chamados Três Grandes (GM, Ford e Chrysler).
Alta Roda nº 510 3 de fevereiro de 2009
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