A Man Latin America, que detém as marcas MAN e Volkswagen Caminhões e Ônibus, tomou para si um conceito baseado em sua própria propaganda da linha de caminhões que diz ‘menos você não quer, mais você não precisa’, largamente utilizada em diversos meios de comunicação. O conceito gerou uma estratégia de vendas baseada em veículos 100% customizados, que ao longo do tempo, se afinou para uma estrutura de tailor made, com customização, mas sobre opções já disponíveis pela fábrica. Uma única linha de produção na unidade de Resende (RJ) é capaz de fabricar 14 famílias de caminhões, exceto os extrapesados MAN TGX, que tem uma linha exclusiva de montagem. São 234 modelos básicos, sendo 60 combinações diferentes de itens opcionais, como ar-condicionado, pneus e cor.
“O planejamento é feito em vários níveis, desde análise de variações até os riscos da cadeia de fornecimento quanto ao tempo de resposta. Uma reunião mensal incluindo a presidência avalia sobre a decisão de volume de produção com base nas análises de forecast e resultados de vendas”, aponta Leandro Goudarde Pereira, supervisor de planejamento e programação de produção da MAN Latin America.
Ele afirma que a parceria consolidada com a cadeia é fundamental. “Somos a empresa mais dependente dos fornecedores e neste processo é necessário debater e saber negociar, abrir informações mutuamente, conhecer o meu parceiro e seus problemas logísticos e manter as regras claras, com comunicação direta com quem toma as decisões da empresa”, afirma, por manter em sua unidade o modelo de consórcio modular, no qual o veículo é montado por trabalhadores dos fornecedores diretamente na linha de produção.
Sobre sua parceria com a Scania, por também pertencer ao Grupo Volkswagen, o representante da MAN Latin America revela que os acordos para encontrar sinergias estão mais fortes este ano, começando naturalmente pela área de compras, mas que nada mudará com relação ao portfólio ou integração de marcas. Por sua vez, Fabio Castello, diretor de logística da Scania, ressalta a vantagem e a importância desta ação: “A orientação da matriz é que as marcas têm autonomia para encontrar sinergias que sejam as melhores para suas operações”, completa.
Castello lembra que na Scania o processo produtivo também se baseia na colocação de pedidos reais, sem a necessidade de criação de estoque. Os processos, segundo ele, cresceram ao longo da operação: o que era trimestral passou a ser mensal, e processos mensais, como o envio de carteira para o fornecedor, agora é feito duas vezes por semana.
“O dinamismo das encomendas cresceu, a partir de uma análise ampla de forecast, que é feita toda semana e com base em diferentes fontes, desde o marketing, cotações, e claro, pedidos reais nas concessionárias.”
Ele conta que são cerca de 32 mil clientes potenciais cadastrados, que fazem pedidos ou cotações para 450 vendedores de 150 concessionárias. “Tudo isso para 900 fornecedores e uma fábrica na América Latina responsável por 1.150 variantes de produtos, dos quais 400 é o cliente que especifica”, revela.
Segundo Castello, um pedido confirmado é entregue em cinco semanas, o que é possível com acompanhamento direto do forecast tools: “O fornecedor sabe semanalmente o que e quanto ele precisa produzir, orientamos para o número correto. É preciso ser rápido, porque o cliente precisa do produto daqui 30 dias”.
O executivo acrescenta que as mudanças partiram da própria equipe de supply chain e que os novos processos de operação foram acatados tanto pelo board quanto fornecedores. Além disso, a fábrica mantém um acordo com o sindicato, que é informado até uma semana antes da necessidade de paradas ou uso do banco de horas aos sábados, dependendo da demanda:
“Não temos mais o ‘pedido especulativo’: o concessionário entra com o pedido real, o que realmente é derivado de venda. Se não tem pedido, paramos a produção. Isso otimiza a capacidade instalada.”