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Como a Argentina banca a existência de carros que vendem pouco no Brasil

Bom desempenho no país vizinho faz com que alguns modelos sejam estratégicos para as montadoras
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Vitor Matsubara

19 jul 2024

4 minutos de leitura

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Comparar os mercados da indústria automotiva de Brasil e Argentina é covardia. Afinal de contas, a disparidade no tamanho dos países também se reflete no volume de vendas. Enquanto nosso país emplaca pouco mais de 2 milhões de veículos por ano, a Argentina teve quase 450 mil unidades licenciadas em 2023.


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As diferenças também estão na lista de modelos mais vendidos nos dois países – e ajudam a explicar porque a Argentina é responsável por manter em linha alguns carros que vendem pouco por aqui.

Cronos e 208 vão bem na Argentina, mas não no Brasil

Líder de emplacamentos na Argentina no primeiro semestre do ano, o Fiat Cronos teve 15.825 unidades licenciadas de janeiro a junho de 2024, segundo números da Acara (Associação de Concessionárias de Automóveis da República da Argentina).

No Brasil, onde a referência utilizada é o ranking de emplacamentos da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o mesmo modelo teve desempenho semelhante: foram 16.793 veículos comercializados no mesmo período. A diferença é que, por aqui, o Cronos ocupa um discreto 19º lugar.

Se serve de consolo, o modelo é o vice-líder entre os sedãs compactos no Brasil.

O Peugeot 208 é outro caso de “dois pesos, duas medidas”. Se na Argentina ele é o segundo colocado em emplacamentos, com 14.295 unidades licenciadas no primeiro semestre (o que faz dele o hatch mais vendido do país), no Brasil o modelo contabiliza 9.871 unidades nos seis primeiros meses do ano.

Embora pareça expressivo, esse volume é suficiente apenas para uma amarga sétima colocação em sua categoria – uma das mais disputadas do mercado nacional.

É importante ressaltar que o 208 reestilizado desembarca no mercado brasileiro ainda neste semestre. Com a proximidade da renovação, é possível que o consumidor esteja esperando pelo modelo 2025 ou tenha migrado para outro carro da concorrência.

Yaris é top 3 na Argentina e coadjuvante por aqui

Fabricado em Sorocaba (SP), o Yaris nunca foi um dos campeões de venda da Toyota no mercado brasileiro. No primeiro semestre deste ano, o hatch emplacou 12.314 unidades – que lhe renderam o quinto lugar no disputado segmento de compactos, atualmente dominado pelo Volkswagen Polo.

Na Argentina, porém, o Yaris é protagonista. As 9.837 unidades licenciadas de janeiro a junho de 2024 levaram o modelo ao terceiro lugar no ranking geral de emplacamentos no país. Por lá, o Yaris tem desempenho muito superior ao do Corolla, 

Taos e Amarok jogam bem ’em casa’, mas pisam na bola no Brasil

Aproveitando a velha referência à rivalidade futebolística entre os países, dois modelos da Volkswagen feitos na Argentina vão muito bem quando jogam em casa, mas decepcionam fora de seus domínios.

O Taos fechou o primeiro semestre com 5.990 unidades emplacadas em seu país natal, que lhe renderam o terceiro lugar na categoria de SUVs médios – atrás apenas do Toyota Corolla Cross.

No Brasil, porém, nem os 7.013 emplacamentos nos seis primeiros meses de 2024 foram capazes de aproximá-lo da briga pelo topo. Além de também estar atrás do arquirrival da Toyota, o Taos sofre com a concorrência do líder da categoria Jeep Compass e do Caoa Chery Tiggo 7. Com isso, o modelo da VW é apenas o quarto colocado.

Já a Amarok emplacou 8.152 unidades de janeiro a junho e se firmou em um bom terceiro lugar no disputado mercado argentino de picapes, atrás da líder Toyota Hilux e Ford Ranger.

A situação é completamente diferente no Brasil, onde a picape acumulou 2.397 unidades licenciadas no mesmo período de 2024. Com esse volume, ela é a última colocada no segmento também dominado por Hilux e Ranger.

A reestilização que deve ser apresentada por aqui em agosto pode dar mais fôlego para a Amarok a partir do segundo semestre. E é bom que isso aconteça, já que a novata Fiat Titano aposta no preço mais acessível para ultrapassar a picape da VW.