
A inteligência artificial é uma ferramenta cada vez mais recorrente na indústria automotiva. Rapidamente ela se tornou uma importante aliada na tomada de decisões em diversas áreas dentro das montadoras.
Uma das tecnologias mais eficientes é a do gêmeos digitais. Trata-se de uma representação virtual de um objeto físico ou processo que utiliza inteligência artificial e dados coletados em tempo real para simular seu comportamento e/ou desempenho.
Não demorou para as empresas de tecnologia notarem que os gêmeos digitais poderiam resolver diversos problemas da indústria automotiva.

É o que ressaltou Edson Isawa, diretor de desenvolvimento de Portfólio & Account da Siemens Digital Industries Software.
“Podemos pensar tanto no produto quanto na fábrica. A ideia é suportar toda a cadeia da indústria (automotiva) desde o desenvolvimento do produto até sua manufatura”, disse.
“Esse conceito é o mais abrangente possível. As fábricas armazenam e mandam muitos dados hoje em tempos de indústria 4.0 e Internet das Coisas”, completou.
Gêmeos digitais simulam diversos processos produtivos

Os gêmeos digitais são capazes de simular praticamente toda e qualquer etapa produtiva.
“Dá para validar todo o funcionamento dos sistemas elétrico, hidráulico e mecânico”, disse Isawa.
“É possível analisar o fluxo de calor e o consumo de energia de uma cabine de pintura. Outra possibilidade é de simular o comportamento do tanque de tratamento do pré-processo de pintura e até projetar quantos furos o tanque precisa ter para escorrer corretamente o líquido utilizado nos processos”, afirmou Isawa.
Com essa ferramenta, as etapas de produção podem ser conectadas mais facilmente. Segundo Isawa, vários conceitos já são “amplamente aplicados” no Brasil.
“É claro que ainda temos o desafio de melhorar a eficiência da nossa indústria, mas hoje já temos muitos conceitos aplicados”.
Tecnologia fez projeto do Nivus economizar milhões de reais

Isawa cita alguns exemplos recentes na indústria automotiva nacional, como o projeto do Volkswagen Nivus lançado em 2020.
“A empresa deixou de construir 70 protótipos por meio de tecnologias como a dos gêmeos digitais, que é fornecida por parceiros como a Siemens”.
Para o especialista, além de poupar alguns milhões de reais em gastos, a tecnologia de gêmeos digitais também ajuda na sustentabilidade.
“Quando a fabricante reduz o (tempo do) projeto em 10 meses, imagina só quantas horas de testes e de pessoas trabalhando ela economiza? Nem sempre a sustentabilidade está visível”.
O especialista da Siemens ressalta que a inteligência artificial e os gêmeos digitais aceleram etapas que levariam dias para serem realizadas. Isawa ilustrou isso com um caso hipotético de um produto descontinuado.
“Se um fornecedor parou de fabricar determinado equipamento,basta pesquisar, em sua base de dados, se ele já comprou essa mesma peça de outro fornecedor. Caso o tenha feito, o sistema já informa preço, custo e qualidade do produto. No passado seria preciso consultar informações, falar com vários projetistas e fazer todo o ciclo de alteração manualmente. Então a IA acelera muitas etapas”.
Coisa de cinema
O gêmeo digital pode até contribuir na hora de realizar mudanças no chão de fábrica.
“Eu tenho um posto de trabalho e quero simulá-lo ergonomicamente. A IA está em um nível tão avançado que basta tirar uma foto do posto para que ele crie um manequim para determinar se ele atende essas normas ergonômicas. Isso acelera os processos e traz um grau de confiabilidade inimaginável há cinco anos”.
Até nas demais etapas fora da linha de montagem a IA pode atuar. Parece até coisa de filme de Hollywood.
“É possível olhar para trás e ver porque o produto não foi entregue ou até simular como será o futuro. Se eu quiser produzir mais unidades, posso estimar se preciso colocar mais um turno (de produção) ou se preciso aumentar a velocidade dos robôs”.
“É como se a gente brincasse de ‘Minority Report’”, brincou Isawa, em alusão ao clássico da ficção científica.
