
Dirigir não é mais apenas sentar ao volante e conduzir pelas ruas. As novas tecnologias transformam a experiência dos motoristas desde a compra do veículo por canais digitais até a interação com tecnologias de assistência de direção e controle do carro por voz ou aplicativo. A transformação digital chegou para ficar: é a conclusão de especialistas e executivos das grandes montadoras durante o #ABX21, evento promovido online por Automotive Business, nesta semana.
Até 2023, serão US$ 6,8 trilhões de investimentos em transformação digital, segundo o Índice Cesar de Transformação Digital (ICTd). De 2019 para 2021, a transformação digital das empresas automotivas foi impulsionada pela pandemia, crescendo de 57,34% para 66,15%.
Na Stellantis, o objetivo é melhorar a experiência do consumidor a partir da análise de dados.
Precisamos oferecer algo para o consumidor, trazer mais valor para ele a partir dos dados que temos sobre a rotina dele e a sua rotina de compras”, disse o CIO da marca, André Souza. “No contexto de conectividade, temos trabalhado muito em ecossistema para pensar como trazer mais serviços para o consumidor, como agregar mais segurança e fazer com que, dentro ou fora do veículo, ele esteja sempre em contato com o carro.
Um dos principais avanços da marca nesse sentido foi a digitalização do processo de venda durante a pandemia, quando as concessionárias foram fechadas. “Toda essa transformação é uma mudança de paradigma porque é um relacionamento pós-venda direto entre montadora e cliente, uma multiplicação dos pontos de contato”, concluiu Souza. Segundo o executivo, a empresa também está focada em aplicar os conceitos de indústria 4.0 em seu processo produtivo e recentemente lançou uma iniciativa com internet 5G em uma de suas plantas.
No setor automotivo, o maior avanço foi em tecnologias digitais para cultura e pessoas. Segundo o ICTd, 70% das empresas desenvolveram iniciativas com esse foco. “A pandemia fez com que as empresas adotassem o home office e investissem em ferramentas digitais para a interação entre os colaboradores e consumidores”, afirmou o chief design office da Cesar, Eduardo Peixoto.
“Em relação a inovação e modelos de negócio, a transformação é mais lenta: 62% das empresas focam na transformação digital de suas inovações e 67% aplicam essa transformação em seu modelo de negócio. “A transformação do modelo de negócios está acontecendo de maneira mais tímida. O setor ainda é muito focado na inovação produto em si, no caso, a eletrificação dos carros”, analisou Peixoto.
“Novas formas de telecomunicação e tecnologias são mais comuns pra nós. Quando falamos em modelo de negócios é difícil mudar porque precisa mudar o seu próprio DNA e mudar o entorno, entender o que a sociedade quer e reposicionar a marca”, diretor de Planejamento e Controlling TI da Mercedes-Benz, Maurício Mazza. “É uma época de muita incerteza que dificulta essa mudança, mas está acontecendo. Vamos ter o foco cada vez mais claro em tecnologia e na agenda ESG.”