
Ele sabe que é preciso conquistar a confiança do mercado para preservar as conquistas da marca no país, onde a GM perdeu somente alguns pontos de participação nas vendas nos últimos meses – apesar de oferecer uma linha de produtos que precisa ser revigorada.
Dados da Fenabrave, entidade dos distribuidores de veículos, mostram que a marca Chevrolet, da GM, ficou com 20,75% dos emplacamentos em maio, atrás da Volkswagen (26,11%) e Fiat (26,03%). No segmento de comerciais leves a marca manteve o segundo lugar (17,45%), perdendo apenas para a Fiat (23,22%) e deixando ainda longe a Ford (11,35%).
As vendas acumuladas até o final de maio registram 19,55% dos emplacamentos para os automóveis Chevrolet e 17,48% para os seus comerciais leves.
Campanha
A GM publica comunicados nos jornais e veicula comerciais na mídia eletrônica para anunciar o nascimento da Nova GM, que deverá ser constituída dentro de 90 dias sob a supervisão da Justiça dos Estados Unidos.
Será uma companhia enxuta, forte, com produção global e líder em tecnologia automotiva. As operações de negócios mais sólidas integrarão a Nova GM, e a GM do Brasil fará parte dessa nova organização – diz o comunicado.
Segundo ainda o anúncio, a GM do Brasil continua a operar normalmente, com uma situação financeira sólida, e há planos para renovar toda a linha de veículos até 2012.
Entrevista
Em reunião com os jornalistas em 2 de junho, o presidente Jaime Ardila repetiu tudo que vinha dizendo há alguns meses e resumiu: ‘nada mudou para a GM brasileira’.
Ele confirmou que todos os investimentos programados estão de pé e ainda resta US$ 1 bilhão a ser investido até 2012 com recursos locais.
Bom articulador, Ardila demonstrou novamente a habilidade em demonstrar seus pontos de vista. Sua liderança é forte e uma vantagem importante neste momento de mudanças rápidas.
Ele disse o que se esperava – mas trouxe uma boa dose de convencimento, respondendo com segurança à maioria das questões em jogo.
O executivo reforçou algumas idéias sobre a operação da General Motors no Brasil:
– não há mais remessa de dividendos à matriz
– a situação financeira é sólida
– a operação é lucrativa
– a empresa investirá US$ 1 bilhão com recursos locais até 2012
– não há trocas de carros e peças com os Estados Unidos
– há intercâmbio de serviços
– executivos locais participam de projetos globais
– a empresa se prepara para lançar a família Viva, que terá expansão
– estão mantidos os projetos locais, incluindo a fábrica de motores de Joinville
– a empresa pode manter laços com a Opel como fonte de tecnologia
Tecnologia e engenharia
Há questões que merecem análise mais profunda, como a independência financeira da companhia no país. Há controvérsias sobre a situação do caixa, que tem o comando da matriz, e das garantias a serem exigidas pelos bancos para investimentos, incluindo o BNDES ou bancos privados.
As questões que envolvem tecnologia e desenvolvimento de produto também só poderão ser passadas a limpo após a definição das operações da matriz e da Opel na Europa, origem da maioria dos produtos Chevrolet brasileiros.
Não há dúvida sobre a competência local da engenharia da GM e da disponibilidade de recursos importantes, mas daqui em diante deve custar mais caro recorrer a auxílio no exterior. Vale lembrar que a GM atual terá participação limitada na Nova GM e provavelmente ainda menor na Opel.
Em recente visita ao Brasil o brasileiro e diretor de engenharia William Bertagni, integrado à operação da GM Daewoo, concedeu entrevista a Automotive Business para falar dos avanços da marca no desenvolvimento de carros compactos e pequenos, em parceria com a equipe brasileira.
Além desse esforço, que já existe há bastante tempo, Ardila revela que há brasileiros trabalhando em um projeto global da marca para o desenvolvimento de um carro pequeno ou compacto, que deve ter também mão da equipe coreana.