logo

none

Como o imbróglio da GM afeta as autopeças

São inúmeras as pressões sobre o grupo tarefa encarregado de avaliar e supervisionar o projeto de reestruturação da General Motors. Ao lado das questões trabalhistas envolvidas, estão em jogo os interesses dos detentores de títulos da empresa (da ordem de US$ 27 bilhões), distribuidores e fornecedores, todos enfiados até o pescoço no enorme imbróglio.
Author image

cria

02 mar 2009

2 minutos de leitura

O grupo que avalia as múltiplas proposições dos interessados é comandado por Timothy Geithner, secretário do Tesouro, e por Larry Summers, conselheiro da Casa Branca. Uma das questões centrais é decidir sobre a concessão de mais US$ 16,6 bilhões à GM, além dos US$ 13,4 bilhões já entregues. A recusa provocaria a quebra da empresa e um tsunami ao longo de toda a cadeia de produção e distribuição, aí incluídos players como empresas de engenharia, consultoria, logística e finanças.

Enquanto as vendas totais nos Estados Unidos caem ao nível de 10 milhões de unidades este ano, Summers e Geithner tem uma enorme batata quente nas mãos, seja qual for o caminho escolhido. Eles sabem que a quebra da GM ou da também quase concordatária Chrysler causará um impacto de proporções inimagináveis sobre a economia norte-americana, com ondas de choque em todas as partes do planeta. Sabem também que além dos US$ 16,6 bilhões pedidos pela General Motors para salvar o caixa, outras dezenas de bilhões serão necessárias para levar adiante qualquer programa de reorganização da indústria automobilística.

Impacto na cadeia de suprimento

Com as ações avaliadas agora não mais em dólares, mas em dezenas de cents, inúmeros fornecedores de componentes e serviços para as montadoras norte-americanas estão com as barbas de molho. Com o crédito já escasso na praça, eles terão dificuldade crescente em conseguir dinheiro para alimentar o caixa à medida que a perspectiva de recuperação de seus principais clientes – GM e Chrysler – vai se tornando cada vez mais sombria.

A agência de notícias Automotive News alerta que dúvidas de auditores sobre a capacidade da GM se recuperar serão entendidas pelo mercado financeiro como uma fraqueza para as empresas de autopeças que pretendem obter crédito.

O grupo tarefa do governo está avaliando uma solicitação de um pacote de US$ 18,5 bilhões para o setor de autopeças, que poderia chegar na forma de garantias aos fornecimentos de componentes e empréstimos bancários. Outra forma de ajuda seria dirigir os recursos para reduzir, por meio das montadoras, os prazos de pagamento de fornecimentos, hoje ao nível de 45 dias.

Como uma parcela significativa das grandes empresas de autopeças que atuam no Brasil representa filiais de grupos norte-americanos, as dificuldades nas matrizes afetam de forma importante as operações brasileiras. Não é a toa, por exemplo, que a maioria dessas empresas foi obrigada a ficar fora da Automec, principal vitrina do setor de autopeças e reposição na América Latina.