
O novo Citroën C3 Aircross teve seus detalhes revelados e agora fica mais fácil entender qual será o seu posicionamento e com quem ele vai concorrer.
Na faixa de R$ 109.990 a R$ 129.990, o SUV compacto começa com três versões de acabamento. Inicialmente o modelo será ofertado apenas com cinco lugares, mas as opções para sete passageiros estreiam em breve.
Briga caseira com o C4 Cactus
A primeira comparação acontece dentro de casa contra o C4 Cactus. Lançado em 2017, o modelo acaba de passar por pequenas mudanças no design e na lista de equipamentos.
É verdade que o “fator novidade”, por si só, já pesa a favor do C3 Aircross. Mas existem outras características que o deixam em vantagem frente ao Cactus. O amplo espaço interno no banco de trás e o enorme porta-malas de 493 litros (contra 320 litros no Cactus) são importantes argumentos para decidir qual é o carro ideal para uma família mais numerosa.
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Por enquanto, a Citroën resolveu posicionar o C3 Aircross pouco abaixo do C4 Cactus. Enquanto a versão de entrada do Aircross começa em R$ 109.990, o Cactus Live parte de R$ 111.990. Na outra ponta da tabela a diferença é mais expressiva: o C3 Aircross Shine custa R$ 129.990, ou R$ 10 mil a menos do que os R$ 139.990 pedidos pelo C4 Cactus Shine Pack.
Existe, porém, um importante trunfo para o C4 Cactus em sua versão mais cara: o motor 1.6 turbo da família THP, que chega aos 173 cv com etanol no tanque. Apesar de veterano, ele ainda é referência em desempenho na categoria com suas respostas ágeis que divertem quem está ao volante.
Nas demais versões, contudo, em termos de conjunto mecânico, o Aircross sobra. Afinal, toda a linha usa o moderno turbo 1.0 três-cilindros de 130/125 cv. No Cactus, boa parte da gama é equipada com o veterano 1.6 16V aspirado de 118/115 cv.
Seja como for, o posicionamento de “escadinha” dentro da Citroën ficará um pouco mais lógico com a chegada das versões de sete lugares do C3 Aircross. Como a diferença de preço entre cada versão de cinco e sete lugares deve ser de R$ 6 mil a R$ 8 mil a mais, a versão de entrada do C3 Aircross 7 deve se posicionar exatamente entre as versões Live (R$ 111.990) e Feel (R$ 117.990) do C4 Cactus.
C3 Aircross leva vantagem diante de Pulse e 2008
O C3 Aircross também está bem posicionado em relação a rivais de outras marcas do grupo Stellantis – especialmente em suas respectivas versões de entrada.
O Fiat Pulse Drive 1.3 com câmbio CVT custa R$ 110.990. Além de ser bem menor e menos espaçoso, o SUV tem motor 1.3 aspirado. Já o Peugeot 2008 Allure está à venda pelos mesmos R$ 109.990 do C3 Aircross Feel, mas também é menor, está defasado e é movido pelo mesmo motor 1.6 16V flex do Cactus.
O Jeep Renegade, por sua vez, parte de R$ 125.990 na versão conhecida apenas como Turbo T270. Este já está posicionado um degrau acima do C3 Aircross Shine, embora não ofereça o mesmo espaço interno do modelo da Citroën. Em contrapartida, tem uma lista de equipamentos mais completa e o motor 1.3 turbo, bem mais potente (185/180 cv) do que o T200 que equipa a novidade da marca francesa.
Novo SUV é mais barato do que Duster e T-Cross
A comparação também é favorável à Citroën diante de outras fabricantes. O Renault Duster, uma das referências para quem precisa de espaço interno, parte de R$ 118.690, mas com câmbio manual. Caso queira a transmissão do tipo CVT, o cliente precisará desembolsar R$ 127.590 – ou seja, quase o mesmo valor do C3 Aircross Shine. Vale lembrar que as versões mais baratas do Duster são equipadas com o motor 1.6 16V SCe de 120 cv e 16,2 kgfm.
Já o VW T-Cross começa em R$ 121.990 na versão de entrada Sense 200 TSI. Carrega também um motor 1.0 turbo, que gera 128 cv e 20,4 kgfm – números muito próximos aos do C3 Aircross. O espaço interno é generoso para os ocupantes, embora o porta-malas não seja volumoso como no modelo da Citroën. No entanto, o preço do T-Cross Sense fica entre as versões Feel Pack e Shine do C3 Aircross.
A versão mais barata do Nissan Kicks é a Active CVT. Com valor sugerido de R$ 112.990, ela se destaca por oferecer itens como seis airbags (o C3 Aircross só vem com até 4 bolsas infláveis) e piloto automático. Só que, assim como a maioria dos concorrentes, o Kicks leva a pior quando o assunto é espaço interno. O motor 1.6 aspirado também é menos eficiente e ágil do que o T200 de origem Stellantis.
Creta e HR-V estão em outro patamar
Quem pensa em um Hyundai Creta precisa pagar pelo menos R$ 135.390 – ou R$ 5.400 a mais do que o C3 Aircross Shine. É o valor pedido pela versão Comfort, movida pelo motor 1.0 turbo de 120 cv e 17,5 kgfm. Assim como o T-Cross, o Creta Comfort chama a atenção por receber bem os passageiros no banco traseiro. O espaço para bagagens também é generoso, com 422 litros.
Por fim, o Honda HR-V custa bem mais. Pela configuração de entrada EX Sensing, o consumidor paga R$ 151.200. Ao menos, em troca ele leva para casa um SUV bastante completo, com itens como freio de estacionamento eletrônico e um bom pacote de assistências à condução. Só que o motor turbo está disponível apenas a partir da versão Advance, que beira os R$ 190 mil.
Spin não é rival direta, mas deve brigar pelo mesmo cliente
Desde a pré-apresentação do C3 Aircross, a Citroën diz que ele não tem concorrentes diretos em sua categoria. Não deixa de ser verdade, uma vez que o carro é o único SUV compacto com opção de sete lugares no país.
Mesmo assim, é inevitável compará-lo com a Chevrolet Spin. Até então a única opção do mercado de carros novos com capacidade para sete passageiros abaixo de R$ 150 mil, a minivan deve sair da zona de conforto com a chegada do Aircross.
Tanto é que a Chevrolet prepara há tempos uma reestilização mais profunda para o monovolume. A ideia, aliás, era apresentar o modelo neste ano, mas o lançamento foi adiado para 2024.
Por trás desse adiamento pode estar uma estratégia mais cautelosa da GM. Além de não dividir os holofotes com a Citroën, a Chevrolet pode traçar um planejamento mais apropriado para enfrentar seu novo rival.
Até porque, apesar da profunda atualização no design e no conteúdo (o carro deve estrear a nova geração da central multimídia MyLink), a Spin não terá mudanças mecânicas. Sendo assim, o velho motor 1.8 SPE/4, que entrega até 111 cv e 17,7 kgfm, ficará em clara desvantagem diante do moderno 1.0 turbo T200 de 130 cv e 20,4 kgfm que equipa o C3 Aircross. Daí a importância de posicionar a Spin em uma faixa de preço mais acessível ou ainda oferecer algum diferencial importante para convencer o cliente a fechar negócio.
C3 Aircross vai conquistar por espaço e bolso
Assim como fez com o novo C3 hatch, a Citroën lança o C3 Aircross de olho na relação custo/benefício. Em sua faixa de preço, nenhum SUV compacto oferece o mesmo espaço interno, seja para passageiros ou bagagem, e tampouco a opção de sete lugares. Hoje, apenas alguns SUVs médios (como Jeep Commander e Caoa Chery Tiggo 8) são adequados para famílias mais numerosas, mas ambos passam da casa dos R$ 180 mil.
O baixo custo de manutenção também deve fisgar consumidores. Além de oferecer as três primeiras revisões sem custo adicional, o proprietário poderá diluir o valor de até sete serviços de manutenção nas parcelas do financiamento. Por fim, a Citroën promete uma cesta de peças até 12% mais acessível que a média da concorrência.
Quando a briga é com os SUVs de cinco lugares, o C3 Aircross surge como uma opção mais atraente para quem precisa de espaço interno e coloca os gastos na ponta do lápis. Aí, nenhum modelo da categoria consegue batê-lo.
Pensando exclusivamente nas necessidades de quem procura um carro de sete lugares, a Chevrolet Spin será a principal (e possivelmente única) opção que o cliente levará em conta antes de fechar negócio. Ainda é cedo para dizer quem sairá melhor neste embate, mas, pelo menos enquanto a nova Spin não estrear, o C3 Aircross vai nadar de braçadas.
