
As redes sociais da Europa foram inundadas nesta semana com a perspectiva de que, a partir de 2026, muitas companhias aéreas podem começar uma nova modalidade de passagem em que você paga mais barato, mas viaja praticamente em pé.
O novo design, produzido por uma fabricante de aviões italiana, já teria sido aprovado pelos órgãos reguladores. Mas será que foi assim mesmo?
A história começou no dia 19 de maio, quando uma conta no Instagram chamada @entrepreneurshipquote afirmou que “várias companhias aéreas de baixo custo” irão introduzir “assentos de ficar em pé” em suas aeronaves a partir de 2026.
Segundo o post, após “longos debates”, esse novo design de assentos havia sido aprovado pelos órgãos regulatórios e passado em testes de segurança.
O post, que não citava fontes, utilizava imagens dos assentos Skyrider 2.0, que são reais e foram projetados pela fabricante de aviões italiana Aviointeriors. Inicialmente revelados em 2012, os assentos ganharam aprimoramentos e têm sido apresentados em feiras e convenções desde então.
O modelo mais recente, cujas fotos ilustram este post, por exemplo, tem sido exibido desde 2018.


Basta olhar para o modelo para entender por que ele causa polêmica. Os assentos são curtos e mais se parecem com selas de cavalos do que com assentos reais. Fica difícil imaginar como seria possível permanecer sentado ali por horas.
No post, muitos usuários notaram o absurdo do design. “Em breve, eles vão te amarrar na asa com uma máscara de oxigênio”, disse uma usuária. “Eu conheço um ‘assento de navio escravo’ quando vejo um”, disse outra.
A notícia foi repercutida pelo jornal “Daily Mail”, que trouxe as fotos do Skyrider 2.0 e lembrou que Michael O’Leary, CEO da Ryanair (famosa operadora de aviação econômica da Europa) já defendeu publicamente a adoção desses assentos em suas aeronaves.
Em 2012, O’Leary disse que queria os assentos instalados em seus Boeings 737 e 800, sendo que haveria dez fileiras deles e 15 fileiras com as cadeiras tradicionais. Segundo ele à época, essa mudança poderia fazer com que as passagens diminuíssem de preço e pudessem custar até € 5 (R$ 32).
Após o “Daily Mail” soltar essa matéria, vários veículos de imprensa em todo o mundo também repercutiram o caso que, vale lembrar, surgiu de um post de Instagram sem fonte alguma.
As companhias aéreas se manifestaram dizendo que não tem planos de usar Skyrider 2.0 em suas aeronaves. Pelo menos não agora.

A Aviointeriors também deu uma entrevista ao próprio “Daily Mail”. Um porta-voz declarou que os assentos foram fabricados como protótipos e que estão instalados apenas na sede da empresa, na Itália.
Disse também que a companhia tem recebido “mensagens de ódio” na internet e esclareceu que o produto é apenas um conceito e que não há planos de que seja adotado por nenhuma operadora aérea.
“O Skyrider, muito confundido com um assento finalizado e pronto para uso, é na verdade um protótipo conceitual desenvolvido desde 2012. Foi projetado como uma resposta ousada a um dos desafios mais urgentes da aviação moderna, ao mesmo tempo em que maximiza espaço e ergonomia, e nunca tivemos a intenção de que ele fosse interpretado como algo final. Na verdade, era um exercício provocador em inovação de design, desafiando os limites do que a viagem aérea um dia possa parecer”, disse a empresa nas redes sociais.
A empresa também falou mais sobre o design do assento.
“Sua característica principal é o selim original que garante uma posição ereta do passageiro, permitindo a instalação do assento a um custo reduzido ao mesmo tempo em que mantém conforto adequado. O design permite que as operadoras aéreas aumentem em 20% o número de passageiros, permitindo o aumento dos lucros”, declararam.
Ou seja: muito barulho por nada. Mas é interessante notar o quanto a rejeição popular a um produto de mobilidade pode unir as pessoas.