
“A chegada de novos entrantes, mais do que o Inovar-Auto, é o que vai empurrar as outras empresas que estão por aqui há mais tempo. Como isso vai caminhar, ainda há grandes dúvidas”, declarou.
Para a executiva, o novo regime automotivo é a ferramenta do governo para salvar a indústria nacional em resposta à perda de competitividade dos últimos anos. Segundo ela, o Inovar-Auto vai impulsionar a indústria na medida em que exige avanços tecnológicos e comprovação do índice de nacionalização, contudo, a nova lei que concede incentivos fiscais como o abatimento dos 30 pontos porcentuais no IPI, mostra a preocupação do governo e das empresas com a agenda industrial, o que garante um forte ciclo de investimento, estimado em R$ 5,5 bilhões até dezembro de 2017. Mas aponta questões a serem esclarecidas.
“O Inovar-Auto está funcionado, está trazendo empresas para o Brasil, mas basicamente falta muito para ser regulamentado; o Inovar Peças ainda não saiu do papel, vamos esperar para ver o que será definido. Quanto à eficiência energética, acredito estar mais exigente do que a indústria suporta: deverá sofrer uma revisão em termos porcentuais”, projetou.
COMPETITIVIDADE INTERNA
Com o investimento previsto pela indústria impulsionado pelo Inovar-Auto as montadoras preveem o aumento da produção anual de 3,3 milhões para 4,1 milhões em cinco anos, período de vigência do novo regime. “Durante esse período, as estratégias de atuação de mercado serão fundamentais para manter uma participação saudável no mercado que se tornará cada vez mais competitivo, com novos modelos e produtos”, disse.
Segundo Maria Tareza, o cenário que se apresenta é que apesar da forte concorrência, as quatro grandes marcas que detêm a liderança do mercado brasileiro não deixam claro sua estratégia de atuação, em que nicho querem reforçar sua marca, exceto pela Ford, que segundo ela, focará em dois ou três automóveis de diferentes segmentos, mas suas forças estarão voltadas para caminhões, especialmente caminhões leves e semileves.
“As grandes montadoras – Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen – tomaram um susto com a chegada de marcas que hoje têm forte presença no Brasil, como Toyota e Hyundai, e agora esse movimento se repete com as novas entrantes, trazidas pelo Inovar-Auto. A princípio, as quatro estão lançando novos veículos, sendo que quem mais revolucionou foi a GM, com renovação total dos seus produtos”, lembrou.
A falta de foco em um determinado produto ou segmento faz com que os esforços das marcas que dominam o mercado sejam apenas respostas às estratégias das empresas que chegaram posteriormente. “É o caso da Hyundai que lançou há pouco o HB20, um carro que agradou o consumidor e agora todas terão que trabalhar em um modelo para que possam concorrer por igual.”
Capacidade produtiva é outra preocupação das montadoras: deve aumentar para atender o crescimento da demanda interna. As estimativas da MB Associados apontam que as vendas domésticas alcançarão volume de 4,1 milhões de automóveis e comerciais leves em 2015. No ano passado, as vendas fecharam em 3,6 milhões de unidades e a produção em 3,1 milhões.
Os dados da consultoria mostram ainda que a participação das quatro grandes nas vendas domésticas caiu 15,1 pontos porcentuais em 12 anos, passando de 89,8% em 2000 para 74,7% no ano passado. Por outro lado, a fatia de outras marcas como Hyundai, Nissan, Renault e Toyota cresceram em média 1,6 pontos porcentuais entre 2008 e 2012. Já no mercado de importados, o efeito das medidas sobre a importação de veículos, com o aumento de até 30 pontos porcentuais no IPI, fez com que a participação caísse de 6,75% em 2008 para 7,9% no mercado de automóveis e de 14,9% dos comerciais leves para 6,7% no mesmo período.
“Temos Toyota com fábrica nova, Hyundai que já produz em sua primeira planta nacional, a Nissan que também iniciou os trabalhos para a construção de sua primeira fábrica no Brasil, além de BMW, Chery e JAC que estão com os planos definidos: são essas novas fábricas que vão dar novo impulso à indústria que está instalada aqui há mais tempo e esse movimento já começou: a Fiat já está se mexendo para isso, com o anúncio de uma nova planta em Pernambuco, só falta saber qual modelo virá de lá.”