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Giovanna Riato, AB
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 3, a Fenabrave, federação dos distribuidores de veículos, criticou a pressão das montadoras sobre as concessionárias, que vêm perdendo a lucratividade. “Muitas já estão com prejuízo”, alerta Sergio Reze, presidente da entidade.
O executivo avalia que, para garantir uma operação saudável, a rede de distribuição deveria operar com lucro semelhante ao das montadoras. As fabricantes de veículos leves têm, em média, margem de 8% sobre modelos com motorização 1.0 litro e de 12% para carros com mais cilindradas. Longe disso, as concessionárias têm operado com lucro em torno de 1%.
Práticas agressivas para ganhar mercado ou garantir a liderança das vendas desestabilizam o setor, segundo Reze. Um exemplo é a realização de vendas especiais de eliminação de estoque semanalmente. “Não dá para fazer bota-fora com essa frequência. O consumidor também é prejudicado, pois fica confuso”, avalia. A briga por abaixar os preços em ações promocionais pressiona a operação das revendas, que investem para se adequar às normas das montadoras mas não conseguem garantir o lucro necessário em ações como esta.
Outro ponto crítico indicado por Reze é a prática de rapel, antecipação dos emplacamentos nas concessionárias para garantir uma participação de mercado maior. Feito pelas grandes montadoras, o esforço acaba não refletindo em mudanças significativas no market share e confere ainda mais um custo para a revenda: licenciar o veículo.
Reze criticou ainda o lançamento cada vez mais prematuro de modelos do ano seguinte. “Não dá para entender a chegada de carros 2012 no início de 2011. É um absurdo”, reclama. Em ações deste tipo, o concessionário é obrigado a fazer um esforço para comercializar o estoque do modelo antigo e ainda participar da campanha para vender o novo.
A Fenabrave já anunciou que pretende eliminar parte destas ações com a criação de um ranking de vendas que desconsidere os veículos emplacados em rapel. O presidente da entidade alerta que é necessário manter o equilíbrio. “Se todas as empresas querem crescer 10% para ganhar market share, será impossível fechar a conta dentro da projeção de um mercado de 3,46 milhões de veículos para este ano”, avisa.
