
As exportações de veículos do Brasil continuam sofrendo com a concorrência asiática nos principais mercados das montadoras instaladas aqui. O país perdeu participação nos licenciamentos em todos os países até então maiores compradores de produtos brasileiros.
A informação foi dada pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Marcio de Lima Leite durante balanço da entidade relativo ao primeiro semestre de 2024, nesta quinta, 4.
Os embarques de janeiro a junho chegaram a 165 mil veículos, queda de 28,3%. “As nossas exportações sofrem com mau desempenho dos mercados de países de destino e perda de participação do Brasil nos outros mercados. É a primeira vez, desde 2015, que as exportações são menores que a importações”, afirmou Lima Leite.
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As importações no primeiro semestre somaram 198 mil veículos, alta de 37,7%. “E uma alta relevante de quase 200 mil emplacamentos no semestre, foram 54 mil unidades a mais e deste volume a China representou 78%”, disse Lima Leite.
Segundo ele, quando as importações são da Argentina isso significa que a indústria de autopeças do Brasil exporta para as fábricas instaladas no país vizinho, o que equilibra a balança comercial. “Ocorre que o aumento é extrazona, o que não beneficia a indústria brasileira.”
De acordo com dados da Anfavea, no ano passado a Argentina representava 65% das nossas importações de veículos brasileiras e hoje, não passa de 45%. Já a China saiu de 7% para 26% do total das compras externas, o que sinaliza 450% de alta de produtos chineses no mercado brasileiro.
Anfavea ratifica volta do Imposto de Importação
Diante dessa cruzada, a Anfavea pediu ao governo brasileiro o retorno da alíquota cheia do Imposto de Importação (II), que é de 35%. O governo, no entanto, prega a volta escalonada do imposto. Agora em julho, por exemplo, a tarifa a ser cobrada é de 18%, sendo que o valor cheio será recomposto em 2026.
“Se nós tivéssemos mantido as exportações e as importações como em 2023 a nossa produção teria crescido em 11%, ou, quase 200 mil unidades. O que solicitamos é uma cota única para todas as empresas”, disse o dirigente.
“Não queremos barrar a entrada de novas tecnologias. O que não defendemos é um aumento elevado das importações a ponto de prejudicar a produção local.”
Para Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, a taxação dos veículos, principalmente asiáticos, é um movimento do mundo para proteger a indústria local.
“Na Volkswagen somos bem claros no pedido de volta do imposto de importação para veículos leves. Cerca de 50% das importações na América do Sul estão vindo da Ásia, estamos perdendo mercado”, disse o executivo, presente na apresentação dos dados da Anfavea.
“Do jeito que a competição está, pode diminuir a velocidade dos investimentos no Brasil. Podemos repensar a nossa estratégia”, afirmou o executivo – a montadora totaliza R$ 16 bilhões em aportes que serão aplicados até 2028.
