
Com produtos envelhecidos que começam a perder espaço para o avanço mais rápido da concorrência, a General Motors Mercosul reagiu com a promessa de renovar completamente sua linha de produtos. A GM anunciou que vai apresentar 20 veículos e 10 novas versões na região até 2022, a maioria fabricada no Brasil, outra parte na Argentina e alguns importados de outros países. A montadora fez a informação circular em uma lacônica nota na manhã da quinta-feira, 17, após seu presidente ter adiantado as informações em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “Esta é a maior renovação da linha Chevrolet na história da marca na região. Os novos produtos vão surpreender o mercado com conteúdo e tecnologias inéditas”, promete na nota Carlos Zarlenga, presidente da GM Mercosul.
Com o atraso de Fiat e Volkswagen em lançar produtos interessantes nos últimos anos, a GM conseguiu ultrapassar seus dois principais concorrentes e em 2016 assumiu a liderança do mercado brasileiro, graças a seus dois modelos bem aceitos, o hatch Onix e seu derivado sedã Prisma, ambos fabricados em Gravataí (RS), hoje responsáveis por mais de 65% das vendas da montadora no País. Recentemente, contudo, essa situação começou a se inverter: a GM ficou sem novidades e a concorrência está avançando mais rápido, especialmente a Volkswagen. Daí a necessidade de anunciar lançamentos que só vão acontecer em maior volume a partir de 2019, para tentar segurar a freguesia diante do assédio das outras marcas.
Com ofertas tecnológicas superiores por meio de Polo e Virtus, começaram a fazer efeito os primeiros dos 20 lançamentos anunciados pela Volkswagen no Brasil até 2020. No primeiro quadrimestre deste ano, a marca alemã reduziu pela metade sua distância de participação de mercado em relação à GM, que caiu de cinco pontos porcentuais um ano atrás (17,7% contra 12,7% da VW) para 2,4 pontos agora (17% versus 14,6%). A Volkswagen já é a segunda marca mais vendida do País (passou a Fiat) e não disfarça sua projeção de subir ao topo.
O movimento é explicado pela grande diferença de velocidade das vendas entre as duas concorrentes, causada justamente pelo efeito das novidades de uma sobre a outra. Enquanto os emplacamentos de janeiro a abril da Volkswagen avançaram 39% na comparação com o mesmo período de 2017, quase o dobro da expansão de 20% do mercado total, o desempenho da GM ficou abaixo da média, com crescimento de 15,8%.
RENOVAÇÃO TOTAL
Segundo fontes e especulações de mercado, as principais novidades da GM devem começar a aparecer de fato no ano que vem, com o início da fabricação de modelos sobre a plataforma GEM, desenvolvida na China para mercados emergentes (ou subdesenvolvidos), com padrão tecnológico e de acabamento mais baratos.
Para 2019 é esperada renovação dos líderes de vendas da GM, Onix e Prisma. Além de renovação de design, os dois devem estrear uma linha de motores a ser fabricada em Joinville (SC), que vai substituir a envelhecida gama nacional atual cujo projeto tem mais de 20 anos. São esperados novos propulsores 1.0 de três cilindros e 1.4 de quatro, este com versões aspirada e turbo.
Seguindo o efeito-manada – e a Volkswagen que vai colocar cinco SUVs no mercado até 2020 –, a GM também vai ampliar bastante sua oferta de utilitários esportivos, hoje composta por um único (e caro) modelo nacional, o Trailblazer derivado da picape S10, e pelos importados mexicanos Tracker e Equinox. Todos eles devem ser renovados e espera-se a produção no Mercosul de dois novos SUVs compactos derivados da plataforma GEM, o menor de todos em São Caetano do Sul (SP), outro pouco maior (entre Tracker e Equinox) a ser produzido na Argentina. No país vizinho deve nascer ainda uma nova picape compacta aumentada, do tipo Fiat Toro ou Renault Oroch.
Também está prevista a renovação de todo o resto da gama Chevrolet, incluindo os preferidos dos taxistas, o monovolume Spin, que deve ser apresentado em breve, e o sedã Cobalt. O Cruze em versões hatch e sedã fabricado na Argentina deve ganhar nova plataforma, uma vez que a atual é projeto da alemã Opel, ex-subsidiária da GM que ano passado foi vendida ao Grupo PSA.
Some-se a tudo isso novas gerações de importados, como o novo esportivo Camaro e o elétrico Bolt, ambos já confirmados para o mercado brasileiro.