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Concorrência chinesa gera perdas para indústria

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Redação AB

03 fev 2011

3 minutos de leitura

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Daniel Lima, Agência Brasil

Quase a metade das empresas brasileiras que concorrem com a China perdeu participação no mercado interno, informou nesta quinta-feira, 3, a Confederação Nacional da Indústria. Segundo a pesquisa inédita Sondagem Especial, a perda atinge 45% para essas empresas, sendo que, no mercado doméstico, 28% das indústrias brasileiras concorrem com produtos chineses.

No mercado internacional, 67% das empresas brasileiras perderam participação e 4% deixaram de vender seus produtos devido à concorrência com os produtos chineses.

No mercado interno, as empresas de pequeno porte, quando expostas à concorrência, perdem mais clientes para a China do que as empresas de maior porte, informou a CNI. Enquanto 24% das pequenas empresas concorrem com os produtos chineses no mercado interno, o percentual sobe para 32% entre as médias e 41% entre as de grande porte.

Na avaliação da CNI, as grandes empresas têm capacidade de enfrentar a concorrência porque têm mais condições de investir em pesquisas de inovação e desenvolver novos produtos. A pesquisa mostra que 50% definiram estratégias para enfrentar a competição com os produtos chineses com investimentos em qualidade e design de produtos, com redução nos custos da produção.

“Quando perdemos mercado para produtos importados, no caso, chineses, nós geramos menos produção, menos emprego, menos salário, cai a arrecadação de impostos, compra-se menos de fornecedores doméstico e circula menos mercadoria, com reflexos nos setores de transporte e serviços”, destacou o economista da CNI, Flávio Castelo Branco.

A presença dos produtos chineses é maior em seis setores industriais: material eletrônico e de comunicação; têxtil; equipamentos hospitalares e de precisão; indústrias diversas; calçados e máquinas e equipamentos. Só nos setores de metal, couros, calçados e têxtil, mais da metade das empresas brasileiras que concorrem com produtos chineses perderam participação de vendas no mercado interno. Houve ainda o aumento da produção de insumos chineses utilizados na confecção de produtos brasileiros.

“A importação de matéria-prima da China também dobrou desde 2006. Houve um forte crescimento de produtos intermediários que entraram na cadeia produtiva brasileira. Esse processo deve se intensificar nos próximos anos”, afirmou Castelo Branco.

O economista enfatizou ainda a necessidade de o Brasil ser mais enérgico na política de defesa comercial, não permitindo artifícios como a entrada de produtos com preços que não correspondem aos custos de produção, por exemplo, uma das grandes queixas dos empresários brasileiros contra a China.

Para Castelo Branco, é importante mais rigor por parte da aduana brasileira para corrigir possíveis desvios nesse sentido. “Talvez, o nosso sistema de defesa comercial não esteja aparelhado para essa dimensão da maior competição aqui no nosso mercado doméstico.” Ele também criticou a estrutura tributária brasileira, porque onera os investimentos.

A pesquisa da CNI foi realizada com 1.529 empresas, sendo 904 pequenas, 424 médias e 201 grandes. A coleta de dados foi realizada entre os dias 4 e 19 de outubro.