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Congresso Fenabrave: contorcionismo e mensagens às montadoras

A apresentação de um casal de contorcionistas durante a cerimônia de abertura oficial do 23º Congresso Fenabrave expôs de forma subliminar o esforço que boa parte dos concessionários faz para viver com margens cada vez mais apertadas, em um negócio que ainda depende demais, em torno de 65%, dos ganhos nas vendas de veículos novos. Nesse cenário, Flávio Meneghetti, presidente da associação dos distribuidores, a Fenabrave, destacou em seu discurso que os integrantes do setor têm pela frente a difícil missão de mudar as suas fontes de lucro, com mais investimento nos serviços financeiros e de pós-vendas. Apesar do clima de cordialidade, com muitos representantes das montadoras na plateia e no palco, Meneghetti também aproveitou para mandar mensagens diretas aos seus principais fornecedores, pedindo que eles colaborem com os concessionários ao evitar excesso de produção e vendas diretas, o que normalmente ocorre em momentos de retração de mercado, como exatamente agora.
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pedro

08 ago 2013

4 minutos de leitura

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“Nos próximos anos a volatilidade traz importantes desafios e temos de nos preparar em um cenário com margens cada vez mais estreitas. O mercado fecha sempre em 100% e o excesso de produção em deve ser evitado”, afirmou o dirigente. “Vendas diretas são um caminho perigoso quando passam de certos limites”, acrescentou, sobre a prática das montadoras de vender com grandes descontos carros a frotistas, como locadoras, que depois vendem esses veículos como seminovos. Meneghetti lembrou que a Fenabrave já negocia com o Confaz (conselho das secretarias estaduais de Fazenda) a adoção do gravame obrigatório de 12 meses para esses negócios, o que impediria a venda dos veículos antes desse prazo. “Isso deverá inibir os pseudofrotistas que trazem danos ao nosso mercado”, destacou.

O presidente da Fenabrave destacou a importância econômica do setor que representa, com participação de 5,7% no PIB nacional das 7,2 mil concessionárias no País que empregam 390 mil pessoas e faturaram R$ 237 bilhões em 2012. Por isso Meneghetti defende que os concessionários sejam mais ouvidos nas discussões sobre mobilidade e meio ambiente. “O Brasil ainda tem uma das mais altas cargas tributárias sobre veículos do mundo e se somos relevantes para a economia precisamos ser vistos dessa forma. Uma pessoa não pode se sentir culpada só por entrar em seu carro e dar partida para ir trabalhar.”

Por outro lado, Meneghetti voltou a pedir a adoção de um programa de reciclagem veicular no Brasil, com a criação das desmontadoras de veículos. “O programa pode reduzir acidentes e mortes no trânsito, além de gerar emprego e renda. Já levamos a proposta ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e vamos insistir na implantação do marco regulatório para a indústria desmontadora.”

Para o presidente da associação dos concessionários, será fundamental para o setor mudar a fonte de seus resultados nos próximos anos. “Precisamos elevar a participação do F&I (serviços financeiros e seguros) e do pós-venda, a exemplo do que fazem nos Estados Unidos, onde os concessionários conseguiram superar as turbulências de mercado.”

É fato: segundo pesquisa apresentada pela consultoria JD Power no mesmo evento, hoje de 60% a 65% dos lucros dos concessionários brasileiros vêm das vendas de carros novos, enquanto 20% a 25% vêm da prestação de serviços de pós-vendas e de 5% a 10% das vendas de usados. Nos Estados Unidos os zero-quilômetro representam só 5% dos lucros, os usados 22% e o pós-vendas (serviços e peças) ficam com 73% dos ganhos.

O MAIOR DA HISTÓRIA

O 23º Congresso e Expo Fenabrave é o maior evento já realizado pelo setor de distribuição de veículos no País até agora. O evento, que acontece de 7 a 9 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, tem número recorde de expositores: são 100, crescimento de 30% sobre 2012, incluindo diversos fornecedores de serviços e 10 montadoras – as chinesas Chery e Geely fazem sua estreia na exposição; e a Geely, que só começa a vender por aqui em novembro, expõe pela primeira vez dois carros ao público brasileiro. São esperados 6 mil visitantes, sendo que 3 mil deles deverão assistir também às 40 palestras nacionais e internacionais que fazem parte do congresso.