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Mário Curcio, AB
Numa mesa de restaurante, em um ambiente pouco iluminado, um homem cata uma esferográfica, um grande guardanapo de linho e começa a desenhar. A mão direita faz os traços básicos, enquanto a esquerda se esforça em manter o tecido esticado. Em minutos surge o esquete de um Volkswagen CrossFox (logo abaixo). Terminado o trabalho, o autor se levanta da cadeira e o leva de presente a um dos garçons, que naquele momento nem cabe dentro de si de tanta alegria.
Isso mostra um pouco como é Luiz Alberto Veiga, designer com mãos inquietas, inclusive quando fala. Ele entrou na Volkswagen pela primeira vez na companhia há 37 anos. “Comecei na empresa como ilustrador técnico. Elaborava catálogos de montagem de peças (com vistas explodidas em perspectiva); depois atuei como layout man. Com isso ganhei conhecimento técnico sobre automóveis”, diz Veiga.
Como muita gente de sucesso na indústria, ele passou pelo ensino profissionalizante: “Estudei até o segundo ginasial (equivalente à sexta série do ensino fundamental); depois fugi da escola. Aí meu pai me fez entrar no Senai Ipiranga, onde estudei modelação técnica”, recorda.

O primeiro veículo com sua assinatura não foi um carro. “Foi a cabine do primeiro caminhão leve da Volkswagen, um modelo para seis toneladas.” Na área dos automóveis, Veiga chefiava o setor design durante a criação do “Gol bolinha”, o primeiro com carroceria arredondada, lançado em 1994, e que permanece em produção como modelo de entrada da marca.
“No período da Autolatina fiz o Logus e o Pointer (dois VW derivados do Ford Escort).” Após isso, em 2005, Veiga foi transferido para a VW alemã, onde atuou no estúdio da marca em Potsdam. “Do Gol Bolinha em diante, participei da criação de todos os projetos”, diz Veiga, referindo-se também ao Fox e ao novo Gol.
Sobre as ferramentas atuais para o design ele cita os pads onde se fazem os esquetes, o Photoshop e a modelagem em clay associada ao programa Alias: “Trabalhamos o modelo na mão, com fitas, depois jogamos novamente no programa (de computador); então voltamos a modelar… Esse processo entre o digital e o físico dura um ano até o congelamento da forma”, afirma o designer. Ele ressalta que o processo é acompanhado pela engenharia para que o projeto seja viável.
Automotive Business perguntou a Veiga se ele acredita que algumas marcas há menos tempo no País terão dificuldade para vender seus produtos aqui sem passar por modificações locais. Ele descarta essa hipótese: “Não acredito em design nacional, mas em design bom.” Sobre a mão de obra do setor, ele não se queixa da falta dela, mas sim da formação que recebe: “As escolas não desenvolvem o profissional. Avaliar só pelo portfólio é temerário.”
No início desta semana, Luiz Alberto Veiga participou da apresentação da Space Cross, versão com apelo fora de estrada da SpaceFox. A partir de traços ele mostrou a criação e o nascimento do carro numa pequena sequência de imagens muito simples e interessante (na sequência abaixo). Ele ressalta a forma fluida do carro, “semelhante a uma gota”. A Space Cross chega esta semana à rede. O preço é de R$ 57.990 na versão com câmbio manual e de R$ 60.690 com transmissão automatizada.
