
Presidente da Kia Motors do Brasil, José Luiz Gandini é uma figura acessível e descontraída. No segundo dia de apresentação do Kia Picanto 2012, ele “chegou chegando” com um Kia Cadenza preto. As três letras GAN nas placas não deixavam dúvida de quem era o carrão. Gandini falou bastante a Automotive Business sobre o crescimento da Kia no Brasil e do comportamento do mercado brasileiro.
“Acredito que o dólar entre R$ 1,60 e R$ 1,70 é bom para todo o mundo”, disse, referindo-se tanto aos fabricantes locais como importadores. “O grande vilão são as alíquotas. Cobrar 35% de nós e nada de quem traz do México não faz sentido”, reclama. “Mas acho que o mercado de importados deve crescer ainda mais no Brasil.” Sobre as incertezas atuais da economia, ele se mostra tranquilo: “Não acredito que o mercado seja afetado; tem muito investimento entrando no País.”
A ideia de uma fábrica da Kia no Brasil continua descartada, apesar dos recentes anúncios de montadoras chinesas: “Quem decide isso não sou eu, são eles (os sul-coreanos), e eles optaram por fazer aqui uma fábrica da Hyundai.” Gandini descarta a possibilidade de saírem Kias da unidade piracicabana da Hyundai. Nos EUA, contudo, a fábrica da Kia em West Point, Georgia, monta o Kia Sorento e o Hyundai Santa Fe.
O empresário quer muito vender o Kia Rio aqui: “Quando vier será flex, mas esse motor (1.4) ainda não está desenvolvido. Queremos trazer no ano que vem. Ele vai brigar com o i30.” Sobre o Rio, Gandini revela que homologou a versão a gasolina, mas o trabalho “foi perdido”, pois o carro só virá mesmo como bicombustível.
Sobre a não-importação do Cerato hatch, ele justifica: “Para trazer o carro eu teria de reduzir minha quota do sedã, que já é menor que a demanda, por isso eu ainda não importei.” Em 2012, contudo, o modelo deve chegar.
No que se refere às vendas do Picanto 2012, ele detalha: “Chegaram três navios, com um total de 1.550 carros. Os primeiros que desembarcaram são todos verdes e têm câmbio automático de quatro marchas. O segundo lote é prata e manual.” Sobre o volume previsto para 2012 (18 mil unidades), ele revela: “Foi o que garantiram para nós. Se tivesse mais, venderíamos”, acredita.
Antes de apresentar o Picanto 2012, Gandini exibiu vários números da Fenabrave que ressaltam o crescimento recente da Kia no Brasil. Na comparação entre o período janeiro-junho de 2010 com 2011 a Kia teve alta de 72,6%. “A Hyundai cresceu só 7,4%, menos que o mercado (8,2%). Tem alguma coisa errada…”
Gandini fala do merchandising nas novelas da Rede Globo: “O Picanto vai aparecer logo mais na “Fina Estampa”, das 21 horas.” O marketing da Kia revela que o carro será usado pela personagem Maria Amália (Sophie Charlotte), filha de Griselda (Lilia Cabral). Nesse momento, uma jornalista indaga: “Ué, mas a menina não é pobre?”
Uma representante do marketing explica: “Ela vai ficar rica logo mais, haverá uma virada na trama.” Nesse momento Gandini esclarece: “Por causa do merchandising a gente fica sabendo antes de coisas que vão acontecer. Quando o Tarcísio Meira bateu o carro na novela anterior, eu tentei colocar um dos nossos no lugar e me disseram: ‘Não vai dar, o personagem dele (Teodoro Amaral) vai morrer logo mais’.”