
Neste 20 de novembro, dia da Consciência Negra, a força de trabalho no setor automotivo continua sendo da mesma cor de sempre: branca. No entanto, há algum motivo para comemoração. Nos últimos dois anos, o segmento passou a dar mais atenção à pauta racial para acompanhar as demandas sociais e a luta antirracista. As empresas passaram a investir de forma mais consistente em ações de atração e retenção de pessoas negras.
Para mostrar o cenário da inclusão de pessoas negras na indústria, listamos 5 fatos com base em boas práticas das empresas e números do estudo Diversidade no Setor Automotivo, elaborado por Automotive Business com a coordenação técnica da MHD Consultoria.
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– Veja aqui todos os resultados da pesquisa Diversidade no Setor Automotivo
Participação de profissionais negros cresceu
A participação de pretos e pardos no quadro de funcionários das empresas automotivas teve crescimento importante entre 2019 e 2021: saiu de 9,8% do total de trabalhadores do setor para 14,6%, segundo a pesquisa Diversidade no Setor Automotivo.
O crescimento é o mais significativo entre os cinco pilares da diversidade estudados (gênero, etnia, Pessoas com Deficiência, comunidade LGBTQI+ e gerações), o que indica um esforço das empresas em corrigir a desigualdade.
Ainda assim, há longo caminho para que o setor automotivo seja referência em pluralidade racial. A representatividade ainda é baixa em relação à demografia do Brasil, país que tem 56% da população negra, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Faltam lideranças pretas e pardas
A desigualdade racial é ainda mais evidente na liderança. Os profissionais negros já têm baixa representatividade nas empresas automotivas nas posições de entrada, mas, conforme os cargos ficam mais altos, menor é essa participação. Apenas 1% das cadeiras de conselho de administração do segmento são ocupadas por pretos e pardos. Na vice-presidência e presidência das organizações, há só 2% de negros e, na diretoria, 6%, segundo os estudos de Automotive Business.
Entre 2019 e 2021, a participação de colaboradores aumentou na média liderança (supervisão, coordenação ou chefia) de 6% para 15%, assim como no quadro funcional de 10% para 16%.
O desafio deve ser continuar grande nos próximos anos, visto que apenas 17% das organizações têm metas para a participação negra em cargos de liderança e 8% têm diretrizes para quadro funcional.
Empresas apostam em programas para recrutar talentos diversos
Em dois anos, a mudança mais significativa na presença negra foi nos cargos de entrada. A participação de aprendizes pretos e pardos aumentou de 11% para 16% e de estagiários ou trainees subiu de 12% para 22%. Um dos motivos para isso é que diversas empresas desenvolveram programas de atração de novos talentos com foco em diversidade.
No ano passado, por exemplo, a Lear lançou o seu primeiro programa de estágio exclusivo para pessoas negras, em parceria com a Empregue Afro. Para garantir a inclusão, a empresa abriu mão de pré-requisitos tradicionais como língua inglesa, habilidade técnica prévia e experiência profissional anterior. Ao todo, foram 2 mil inscritos, com 30 talentos negros contratados.
A General Motors também criou o seu 1º programa de trainees para esse público, com vagas para áreas de cadeia de suprimentos, vendas, pós-venda, marketing, manufatura e finanças.
Outras empresas como a Stellantis, Basf, Eaton, Cummins, Ford e Renault também desenvolveram iniciativas de recrutamento de jovens com foco em diversidade.
Diversidade racial ganha atenção das empresas
O grau de maturidade das empresas em diversidade racial foi o que mais evoluiu dentro dos eixos da diversidade. Segundo o estudo de Automotive Business, há dois anos, mais da metade das empresas não tinha nenhuma ação para aumentar a participação de profissionais negros, agora, 31% têm programas estruturados e 41% estão em estágio inicial, com suas primeiras ações nessa frente.
Empresas assinam compromissos públicos pela equidade racial
Para oficializar o compromisso com a diversidade racial, ao menos oito empresas da indústria automotiva e da mobilidade são parte da Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero, que visa promover debates, troca de experiências e incentivar políticas empresariais para a equidade de raça. São signatárias dos compromissos a Ford, Gerdau, PwC, Arcelor Mittal, Enel, Siemens, Vibra e Localiza. A iniciativa tem foco na superação da discriminação racial e de gênero no mundo do trabalho.
Em parceria com o Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), a Nissan estruturou capacitações e letramento racial para os funcionários. A montadora também aderiu selo “Sim à Igualdade Racial”, uma ferramenta para medir o nível de proximidade das empresas com o tema.