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Conscientizar é preciso

As preocupações mundiais com qualidade do ar, poluição, aquecimento terrestre continuam na ordem do dia. Nessa ampla discussão, que deveria ser técnica pela complexidade do tema, os componentes políticos e interesses econômicos misturam-se com movimentos passionais. Afinal, quem não deseja ser aplaudido por ajudar a poupar nossos pulmões e salvar o planeta? O problema reside no diagnóstico correto e nas soluções. O doutor em física, José Carlos Azevedo, não cansa de afirmar que “o clima na Terra sempre sofreu transformações profundas e alternou períodos de aquecimento e resfriamento, antes e depois da Era Industrial”.
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cria

08 abr 2009

3 minutos de leitura

De qualquer forma, as emissões crescentes desse gás podem e devem ser monitoradas. Mas não no nível de histeria atual. Na outra ponta, a de gases realmente tóxicos que saem pelo escapamento dos veículos, a batalha está praticamente vencida. Vários exemplos vieram do recente seminário em São Paulo sobre emissões veiculares e os futuros impactos na saúde, legislação e tecnologia, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

A capital paulista ainda tem problemas de qualidade do ar, porém graças ao programa federal de controle por meio de cinco etapas de redução, iniciado em 1988 e plenamente cumprido pela indústria, o cenário já é bem diferente. A nova exigência para veículos a gasolina/etanol/gás – L6 – está em fase de discussão final para 2013. Infelizmente, as normas para motores Diesel – que exigem uma série de “muletas” técnicas para ser limpo – não se cumpriram como esperado, em especial pela qualidade do combustível.

As entidades ambientais ainda se preocupam com dois poluentes: material particulado (originado em quase 100% nos motores a diesel) e ozônio ao nível do solo (formado por óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos sob luz solar). O primeiro muito mais perigoso que o segundo. Mesmo assim, os dias de atenção em função do ozônio caíram de 219 para 92 entre 2002 e 2006.

A prefeitura paulistana implantou a inspeção ambiental, naturalmente bem-vinda. No entanto, outra vez se comprovou que começou errado. Em 1985 um carro novo poluía 20 vezes mais do que hoje; o mesmo carro com 40.000 quilômetros rodados, sem manutenção adequada, emitia o dobro. Atualmente a diferença entre um automóvel novo e com 40.000 quilômetros não chega a 5% nas emissões ponderadas. O resultado é uma constatação óbvia pela própria empresa Controlar, encarregada da vistoria: apenas 4% dos automóveis produzidos entre 2008 e 2003 tinham restrições. A empresa não revelou, no seminário, o percentual para aqueles com até três anos de uso. Certamente por se aproximar de zero de reprovação.

Como o número de motoristas ligados na importância da manutenção já é escasso, esse programa desperdiça uma chance de ouro. Conscientiza quem não precisa; deixa de conscientizar quem precisa. Se a preocupação fosse de fato a qualidade do ar, bastaria começar pelos carros fabricados entre 2000 e 2005. E em 2009 deixar de fora os automóveis com até três/quatro anos de uso, como se faz no resto do mundo. O problema é semelhante no Rio de Janeiro e sua precária vistoria de segurança e ambiental, a partir do segundo ano.

Alta Roda nº 519 – 7 de março de 2009
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