O seminovo já viveu o seu período crítico de depreciação, o que acontece exatamente em até três anos. Assim, o dono do carro não vai perder muito na hora da revenda, o que aconteceria se comprasse um carro zero: dados do estudo de Depreciação da Agência Autoinforme indicam que o carro pede, na média, 15% do seu preço no primeiro ano de uso e 10% no segundo. A partir daí a depreciação é mais leve e regular.
Esse comportamento revela também que a crise é de confiança e não de falta de dinheiro, caso contrário, o segmento de seminovo também estaria paralisado. O que falta é confiança para investir em momento de dúvidas. O fracasso do Festival do Consorciado Contemplado é prova disso: mesmo estimulados pelo programa, organizado pela Anfavea, Fenabrave e Abac, os 200 mil donos de cotas contempladas não realizaram o seu direito de compra. Quando a proposta foi lançada, em abril, o mercado vendia 10.578 carros por dia; hoje vende 9.540. Provavelmente estão usando o crédito para comprar um seminovo.
Nos sete primeiro meses do ano foram vendidos 7.649.908 veículos usados, conforme dados da Fenauto, a associação dos revendedores de carros usados, volume 4,7% maior do que no mesmo período de 2014 (7.305.864). Mas o grande crescimento foi do segmento de seminovos, que vendeu 2,210 milhões de unidades, contra 1,588 milhão no mesmo período do ano passado.
Os carros mais velhos também tiveram um comportamento melhor do que os novos, mas todos perderam em relação ao ano passado. Carros com quatro a oito anos de uso vendem 3,5% a menos; com nove a 12 anos, queda de 4,1% e os velhinhos, com 13 anos ou mais, tiveram retração de 7,4% nas vendas até julho.
Observe que, mesmo assim, todos os segmentos tiveram, desempenho bem melhor (ou menos pior) do que o mercado de novos.
VENDAS DE USADOS
Janeiro a julho de 2015

Este artigo foi publicado originalmente na
Agência Autoinforme
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