
Passado o aniversário de dois anos do dieselgate, está difícil para o Grupo Volkswagen colocar para trás o maior escândalo de sua história, após o a descoberta, assumida pela empresa, de que 11 milhões de carros diesel foram equipados com softwares para enganar os testes de emissões de poluentes. Na sexta-feira passada, 29, a companhia anunciou que as indenizações com reparos ou recompras de 475 mil veículos equipados com motores diesel 2.0 nos Estados Unidos deverão custar mais do que o previsto, por isso foram reservados € 2,5 bilhões (US$ 3 bilhões) adicionais aos US$ 15,3 bilhões que haviam sido provisionados. Com isso, o total colocado de lado pela Volkswagen para pagar pelos danos da fraude em todo o mundo já soma estratosféricos US$ 30 bilhões.
O escândalo também está colocando ex-executivos da companhia na cadeia. Na quinta-feira passada, 28, foi preso preventivamente em Munique, na Alemanha, o mais graúdo executivo da companhia envolvido na fraude, Wolfgang Hatz, chefe de desenvolvimento de motores na Audi de 2001 a 2007, que exerceu a mesma função no Grupo Volkswagen até 2011, quando assumiu o posto no conselho de administração da Porsche responsável por pesquisa e desenvolvimento, de onde saiu no ano seguinte. Em julho, as autoridades alemãs prenderam o italiano Giovanni Pamio, ex-gerente do departamento de motores da Audi. Ele segue sob custódia e também foi indiciado nos Estados Unidos em processo por conspiração para fraudar reguladores e consumidores no País. Segundo jornais alemães, Hatz e Pamio estão sob intensa pressão para delatar mais envolvidos.
Nos Estados Unidos também foram presos dois executivos do Grupo. No mês passado, James Liang, ex-engenheiro da Volkswagen que aceitou cooperar com a justiça americana, foi condenado a 40 meses de prisão e pagamento de US$ 200 mil em multa por sua participação na fraude. A mesma corte federal de Detroit já considerou culpado Oliver Smidt, outro ex-executivo da companhia, que deve ser sentenciado em dezembro a uma pena de até sete anos de prisão e pagamento de indenização de US$ 400 mil, depois de ter admitido conspirar para enganar legisladores e violar as leis antipoluição dos EUA. CUSTO ALTO
Está custando bastante caro a eventual economia conseguida com a instalação de softwares para fraudar emissões de motores diesel durante testes. Especialmente nos Estados Unidos, a companhia admitiu publicamente que “será necessário fazer mais que o previsto” para consertar ou comprar de volta 475 mil carros Volkswagen com motorização diesel de 2 litros. Por isso foram reservados US$ 3 bilhões extras para os reparos ou recompras.
Há ainda 83 mil veículos vendidos nos EUA equipados com motores diesel V6 3.0 nos quais a Audi admitiu o uso do software que frauda emissões. Analistas estimam que o recall desses modelos poderá custar mais € 1 bilhão adicionais.
Na Europa as reparações parecem estar indo bem. O grupo gasta cerca de € 10 bilhões para atualizar o software de 8,5 milhões de carros afetados, incluindo adição de componentes em 3,7 milhões deles equipados com motores diesel 1.6.
O Grupo Volkswagen já informou que o lucro líquido do terceiro trimestre deste ano deve ser afetado pelos gastos adicionais, derrubando a cotação das ações da companhia. O balanço parcial da companhia será divulgado em 27 de outubro. Analistas esperam por resultado operacional antes de impostos e despesas financeiras em torno de € 4 bilhões.
Além das perdas financeiras já provisionadas para o dieselgate, a Volkswagen também corre o risco de perder credibilidade junto aos clientes, o que pode impactar nas vendas futuras da companhia pelos próximos anos, limitando ganhos e elevando os prejuízos.