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Continental inaugura centro tecnológico de olho na expansão do mercado no Brasil

Com o objetivo de aproveitar as novas oportunidades de fornecimento no mercado automotivo brasileiro, a Continental investiu € 11 milhões (cerca de R$ 28 milhões) para montar um centro tecnológico para desenvolvimento e homologação de motores em Salto (SP), inaugurado na quarta-feira, 22, após 10 meses de obras dentro de sua planta voltada à produção de sistemas de powertrain – uma das cinco divisões do grupo alemão no País, que também faz pneus, peças de borracha (como correias e coxins), painéis de instrumentos e sistemas de segurança e chassis (como freios).
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pedro

22 ago 2012

6 minutos de leitura

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De olho na expansão da produção de veículos no Brasil, com a chegada de mais montadoras e expansão das já instaladas, a Continental investe em todas as suas divisões no País (foram € 400 milhões desde 2007), mas a área de powertrain, comprada da Siemens em 2007, precisava de desenvolvimento local para crescer, principalmente por causa da especificidade do mercado brasileiro, onde os carros bicombustível gasolina-etanol (flex) representam mais de 80% das vendas.

“Powertrain não era uma área de grande representatividade para nós aqui. Perdemos o passo desse desenvolvimento no passado, mas vamos retomar”, garantiu Maurício Muramoto, presidente da Continental Brasil, durante a inauguração do centro tecnológico de Salto. Com sete clientes atualmente, a unidade fornece sensores e atuadores, centrais eletrônicas de gerenciamento de motor (ECU) e módulos de fornecimento de combustível (bombas). Com isso, a empresa tem menos de 10% de participação no mercado de sistemas de injeção de combustível no Brasil, dominado por Bosch, Delphi e Magneti Marelli.

Agora a Continental quer um pedaço maior desse bolo no Brasil, do mesmo tamanho que tem globalmente. “Todas as nossas divisões estão em primeiro ou segundo lugar no mundo e precisamos ser fortes aqui também, a direção central da companhia nos empurra muito nessa direção”, explica José Avila, membro do grupo executivo mundial da Continental e diretor da divisão de powertrain. Segundo ele, a empresa domina em torno de 20% das vendas mundiais de unidades de gerenciamento, tem 30% do fornecimento de sensores e atuadores para motores, 24% dos sistemas de bombeamento de combustível e 50% dos módulos de transmissões automáticas.

Nos últimos anos a unidade de powertrain aumentou de 5% para 20% sua participação no faturamento total da empresa no mercado brasileiro, mas ainda tem bastante terreno para crescer, especialmente no fornecimento de módulos de gerenciamento de motor. “Temos um cliente de ECU aqui, mas está chegando mais um agora e outro em 2014”, informa Anderson Citron, diretor da divisão de powertrain da Continental Brasil.

MERCADOS EMERGENTES

Hoje os países do BRIC respondem por um terço do faturamento da divisão automotiva da Continental (que representa 60% das vendas da companhia e exclui as unidades de pneus e peças de borracha), sendo a China com 20%, Brasil com 5% e Índia e Rússia com 4% cada, o que correspondeu a € 6 bilhões do total de € 30,5 bilhões faturados em 2011. No mercado brasileiro os negócios vêm avançando exponencialmente nos últimos três anos: saltaram de € 630 milhões em 2009 para € 910 milhões em 2010 (44%) e para € 1,1 bilhão em 2011 (21%).

“Este centro tecnológico é um marco importante de nossa estratégia global de crescimento em mercados emergentes, onde a expansão da produção está acontecendo”, diz Avila. “Todos os nossos clientes estão no Brasil e temos de segui-los aqui também. Nossa intenção é produzir localmente tudo o que for possível”, destacou.

O efeito dessa estratégia é a oportunidade de produção de novos sistemas em países emergentes conforme aumenta a demanda dos fabricantes de veículos, induzidos pelos usos e costumes dos consumidores locais ou pelo aperto da legislação de emissões e segurança.

Exemplo disso é o sistema antitravamento de freios (ABS), que passa a ser obrigatório em todos os carros feitos no Brasil a partir de 2014. Hoje só a Bosch produz ABS no País e a Continental, a pedido dos clientes, vai começar a fazer ainda neste semestre, na fábrica de Várzea Paulista (SP). “Como temos participação de 50% no mercado de sistemas de freios hidráulicos no Mercosul atualmente, isso significa potencial de algo como 2 milhões de ABS por ano”, calcula Muramoto.

Na área de powertrain acontece movimento parecido no momento, com a regulamentação do novo regime automotivo, que deve introduzir metas de eficiência energética e emissões de CO2 para os veículos fabricados no País. “O Brasil adotará alguma meta e nós temos tecnologia para contribuir com isso”, informa Avila.

DESENVOLVIMENTO LOCAL

“Tudo que desenvolvemos aqui deve levar em conta o sistema flex fuel, mas há muito espaço para melhorar nessa área”, diz o diretor da divisão de powertrain. Entre esses avanços, Citron aproveitou a inauguração do centro tecnológico para anunciar o lançamento do Smart to Start, sistema de pré-aquecimento do sistema de injeção de combustível para partida a frio com etanol – o que dispensa o reservatório de gasolina nos modelos flex, a exemplo do que já fizeram os concorrentes nessa área.

Citron avalia que nos próximos 15 a 20 anos o motor a combustão continuará a dominar o cenário mundial, “e talvez no Brasil essa longevidade seja até maior, por causa do sucesso do sistema flex que é um diferencial estratégico”. Por isso o executivo aposta no desenvolvimento local de tecnologias que vão ajudar a aumentar a eficiência energética do motor flex. Entre elas, estão na mira do centro tecnológico da Continental em Salto estudos com injeção direta de gasolina/etanol, redução de capacidade volumétrica, turboalimentação, sistemas eletrônicos de controle de válvulas, novos sensores de combustível, entre outras possibilidades.

O centro inaugurado na quarta-feira tem 2,4 mil metros quadrados e começa a funcionar com um dinamômetro de chassi que simula velocidades de até 230 km/h, instalado em câmara que regula temperaturas de -10 a 50 graus centígrados, outro dinamômetro para testes de motor, câmara climatizada de até -35 graus, além da área de oficina para preparação de carros e motores. “Mas já temos tudo pronto para futuras expansões, com área suficiente para mais um dinamômetro de chassi e outro de motor”, conta Citron.

Segundo o executivo, o centro é uma ferramenta para desenvolver novos projetos e prestar serviços às montadoras instaladas no País e importadoras de veículos, com a mesma estrutura utilizada na Europa, Estados Unidos e Ásia para a realização de ensaios de emissões, homologação e calibração de motores movidos a gasolina, etanol e diesel. “Este investimento permite à Continental atender a atual demanda de mercado para tecnologias de powertrain e dá suporte às necessidades dos nossos clientes”, explica Citron.