
Em rápida visita ao Brasil na semana passada, Helmut Matschi, membro da diretoria executiva da Continental e presidente da divisão de interiores, confirmou o progressivo crescimento da importância do mercado brasileiro para as operações da empresa, uma das maiores fornecedoras de componentes e sistemas automotivos do mundo, com faturamento global que deve atingir € 32,5 bilhões este ano. “Existe entre os brasileiros demanda crescente por sistemas de conectividade e conforto. Por isso prevemos que os nossos volumes de vendas vão crescer bastante nos próximos anos”, afirma o executivo.
A divisão de interiores fornece para quase todas as montadoras instaladas no Brasil, principalmente painéis de instrumentos, sistemas de som e módulos de controle de ar condicionado e outras funcionalidades. Matschi elencou uma série de possíveis sistemas fornecidos pela Continental que em breve devem chegar aos carros fabricados, a maioria com fabricação local. “Estamos totalmente convencidos que localizar a produção dos sistemas que fornecemos é a solução mais eficiente”, diz.
NOVAS TECNOLOGIAS
Entre as tecnologias que devem em breve embarcar nos carros brasileiros está o uso cada vez maior do controle remoto que funciona por aproximação e destrava as portas quando o motorista se aproxima com a “chave” eletrônica no bolso, ou trava e sobe os vidros quando ele deixa o veículo. Também está na lista de equipamentos que chegam em breve por aqui módulos que integram rádios digitais, navegação e rastreamento com conexão 4G.
Matschi projeta que os carros vão rodar diversos de seus programas internos no ambiente da “nuvem” da informática – ou seja, vão precisar estar conectados à internet para buscar informações e programas necessários ao funcionamento do próprio veículo. “Serviços na nuvem não precisam estar armazenados dentro do automóvel, o que deixa muitos sistemas mais simples e baratos”, destaca.
Outra tecnologia nesse sentido é o uso de módulos centrais de controle de travas, alarmes, partida, limpadores e iluminação, que eliminam fiação. “Podemos adicionar funcionalidades e reduzir custos com a redução dos cabos”, explica Matschi, para quem esse é um bom exemplo de que mais tecnologia não significa, necessariamente, preço maior. “Somos agregadores de sistemas e estamos sempre trabalhando para cortar custos.” Por isso, segundo ele, a chegada de muitos desses sistemas ao Brasil não deverá impactar o preço dos carros.
“Temos um grande número tecnologias a oferecer e vamos ter muitas delas aqui, mas sempre com a adaptação necessária ao mercado brasileiro”, destaca Maurício Muramoto, presidente da Continental Brasil. Ele lembra que desde 2007 as cinco divisões da empresa já investiram juntas € 400 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) em modernização e ampliação das unidades industriais no País, além do desenvolvimento local de produtos.
Para Muramoto, os lançamentos de novos veículos cada vez mais bem equipados vão causar movimentação no mercado, pois trazem exemplos aos consumidores que elevam seu grau de exigência. Ele cita o recém-lançado Hyundai HB20, que chega com um colorido e vistoso painel de instrumentos desenvolvido e fornecido pela Continental para o carro. “Essa é uma tendência que veio para ficar. Muitos dos novos veículos vão ter painéis assim.”
O executivo diz que a unidade brasileira trabalha no desenvolvimento de novos projetos, inclusive alguns globais, mas a grande parte do trabalho da engenharia local continuará dedicada às adaptações de sistemas para as montadoras instaladas no Brasil. “Temos de aproveitar o que já existe lá fora e desenvolver para as necessidades do País”, afirma. Matschi lembra que a Continental investe € 1,7 bilhão por ano em pesquisa e desenvolvimento, “para todas as unidades do grupo”.
Apesar do aumento esperado no fornecimento de eletrônica interior, Muramoto avalia que, por enquanto, não serão necessários aportes em novas fábricas. “A produtividade em nossas plantas vem crescendo ano a ano e não precisamos de novas unidades.”