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Contra assaltos, entregadores querem baús cadastrados e cursos

Na segunda-feira, 13, na capital paulista, aconteceu uma reunião entre representantes do Sindimoto-SP (Sindicato dos Motoboys de São Paulo), o secretário de Mobilidade e Trânsito, Ricardo Teixeira, e o secretário executivo de Transporte e Mobilidade Urbana, Gilmar Miranda. A reunião tratou de reivindicações da categoria, que se sente prejudicada após a recente onda de assaltos envolvendo falsos entregadores.
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victor

13 jun 2022

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Desde o ano passado, tornaram-se frequentes na cidade casos de assaltos cometidos por indivíduos que se passam por entregadores. Eles geralmente andam de moto e carregam as mochilas com os logotipos dos principais apps de entrega (iFood e Rappi), aproximando-se de pedestres de forma insuspeita e, então, anunciando o assalto. Em abril, o jovem Renan Silva Loureiro foi baleado e morto em uma dessas ocorrências.

Assaltos prejudicam entregadores

Após o caso de Renan, o Governo de São Paulo e a Polícia Militar do estado iniciaram a Operação Sufoco, uma intensificação nas abordagens a motoboys com o objetivo de diminuir a criminalidade. Segundo a categoria, essa operação precarizou ainda mais o trabalho dos entregadores e aumentou o preconceito contra eles.

“Não somos parados tanto por viaturas de ronda, e sim em blitz. E o problema é que a polícia não segue um procedimento padrão, cada um trata de um jeito. Já teve abordagem que fui muito bem tratado e respeitado, mas em outras me chamaram de vagabundo, mandando encostar e abrir as pernas”, relatou um motoboy à ONG Ponte Jornalismo em reportagem sobre o assunto.

“Durante a pandemia, éramos ‘comparados a heróis’, por várias vezes recebemos os mais diversos tipos de incentivo da população e consumidores. Agora voltamos à estaca zero, a classe trabalhadora está sendo associada a crimes e vandalismo”, afirma o ofício enviado pelo sindicato ao prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Capacitação e cadastro

Em contraponto à ostensiva policial, o sindicato sugere a troca das mochilas por baús, os quais precisarão apresentar um número provisório de cadastramento na prefeitura. A placa da moto também precisará estar cadastrada. Para a obtenção da licença definitiva, seria requerida a inscrição e conclusão de um curso para motofretistas.

O Departamento de Transportes Públicos do município tem em seu cadastro 8.201 licenças de motofrete. Apesar disso, a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara Municipal de São Paulo estima que existam entre 60 e 80 mil entregadores só na capital – no país, o número passa de 1,4 milhão.

No fim de maio, em reivindicação semelhante, os motoboys realizaram uma manifestação que parou a marginal Pinheiros na altura da ponte João Dias. Desta vez, há previsão de comboio partindo da sede do Sindimoto, no Brooklin, até a Prefeitura, onde acontecerá o encontro.