
Pegou mal para o Brasil a entrada na Opep+. A rede global de Organizações Não Governamentais (ONGs) ambientalistas Climate Action Network (CAN) concedeu ao governo brasileiro o anti prêmio Fóssil do Dia.
A “premiação”diária ocorreu na segunda, 4, durante a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas de 2023 (COP28), que acontece em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O prêmio é uma crítica à decisão do Brasil de participar da Organização dos Países Produtores de Petróleo Plus (Opep+).
“O Brasil parece ter confundido a produção de petróleo com liderança climática. A corrida do Brasil ao petróleo mina os esforços dos negociadores brasileiros em Dubai, que estão tentando romper velhos impasses e agir com senso de urgência”, afirmou, em comunicado, a CAN, que reúne mais de 1,9 mil entidades de 130 países.
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A presidente do Instituto Talanoa, que atua em políticas climáticas, Natalie Unterstell, argumentou que ingressar na Opep+ contradiz os esforços do Brasil para liderar a agenda climática.
“Usar a viagem para conferência climática como carona para ampliar o compromisso com os combustíveis fósseis foi um tiro no pé do ponto de vista diplomático, climático e econômico”, criticou.
Presidente justifica entrada na Opep+
Criada em 1960, a Opep tem 13 membros, como Arábia Saudita, Venezuela e Angola. Já a Opep+ reúne outros dez países aliados dos membros permanentes: além do Brasil, entre eles estão Rússia, México, Malásia e Sudão.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva justificou a entrada do Brasil como observador no grupo dos países produtores de petróleo como uma forma de influenciar a transição energética.
“A gente precisa convencer os países que produzem petróleo que eles precisam se preparar para o fim dos combustíveis fósseis. E se preparar significa aproveitar o dinheiro que eles lucram com o petróleo e fazer investimentos para que os continentes Africano e a América Latina possam produzir os combustíveis renováveis que eles precisam, sobretudo o hidrogênio verdel”, explicou.
A CAN também subiu o tom sobre a intenção do Brasil de explorar petróleo entre o litoral do Amapá e o do Rio Grande do Norte. “Brasil, não queremos um passeio pelos campos de petróleo quando estivermos em Belém em 2025”, diz o comunicado da ONG.