
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu iniciar o ciclo de baixa de juros no Brasil. Com isso, a taxa básica de juros (Selic) caiu 0,50 ponto percentual, ficando em 13,25% ao ano.
Mas, o que isso impacta o consumidor comum, aquele que ainda sonha com o carro novo? As condições de financiamento podem melhorar e as taxas devem ficar menores? A resposta é: no curto prazo não, segundo os analistas consultados pela Automotive Business.
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Fernado Trujillo, da S&P Global, disse que o juro praticado pelos bancos no financiamento do carro novo é até 18 pontos percentuais acima da Selic.
“Para o juro automotivo cair para a casa dos 20% ao ano, a Selic teria que estar abaixo dos 5% ao ano”, afirma Trujillo.
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E isso somente deve acontecer, segundo estimativa da consultoria IHS, depois de 2025. Trujillo ressaltou que no ano que vem a expectativa é de uma taxa Selic em torno de um dígito.
“Juros a 9% ainda é alto, mas claro que a Selic estando em 8% ou 9% é uma situação melhor do que os 13,75% atuais”, afirmou.
Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa do mercado para a Selic em 2024 e 2025 é de 9,25% a.a e 8,75% a.a, respectivamente. Para este ano, a perspectiva é de que os juros fechem em 12% ao ano.
Além dos juros: outros fatores que podem aumentar o financiamento automotivo
No entanto, segundo Fernando Trujillo, não é somente a taxa de juro mais baixa que pode aumentar os financiamentos de veículos novos nos próximos meses. Ele afirma que há outras variáveis que são consideradas pelos bancos na hora de financiar um carro.
“Deve-se analisar outros pontos também, como taxa de inadimplência, a queda da inflação, que impacta diretamente no preço dos veículos, a taxa de câmbio, a confiança do consumidor e a taxa de desemprego. São inúmeros fatores levados em consideração nessas análises. Mas a queda do juro impacta diretamente na parcela que o consumidor vai pagar, o que é importantíssimo”, informou.
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Com isso, mesmo com os juros ainda altos no Brasil nos próximos anos, Trujilo acredita que as vendas de veículos devem crescer 9% em 2024, e chegar a 2,29 milhões de unidades. Já em 2025, a expectativa da consultoria é de alta de 8,7% e emplacamentos de 2,49 milhões de veículos.
Isto mesmo com a participação baixa dos financiamentos. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas à vista representam cerca de 70% do total comercializado no acumulado do ano.
Demanda reprimida pode alavancar vendas
Para Antonio Jorge, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), outro fator que deve ser considerado no aumento das vendas de veículos nos próximos anos é a demanda reprimida, que ainda é alta no Brasil.
“Mesmo com o aumento de vendas do seminovo, os consumidores não deixaram o sonho do carro novo para trás. Há uma demanda reprimida considerável no Brasil. Selic a 9%, 8% ainda não impulsiona o mercado”, disse Jorge.
Ele ressaltou, no entanto, que a perda do poder de compra do brasileiro ainda é latente e pode atrasar, cada vez mais, a decisão de compra de um veículo zero quilômetro.
“O mundo todo perdeu renda por causa da pandemia, mas o Brasil perdeu mais. No último levantamento divulgado, a renda per capita no Brasil é de US$ 12 mil a US$ 14 mil por ano. Para se ter uma ideia, nos EUA o americano ganha em média US$ 65 mil por ano”, afirmou Jorge.
