
A Anfavea confirmou na sexta-feira, 6, que há risco de uma ou pelo menos duas linhas de montagem paralisarem suas operações por falta de peças e/ou componentes provenientes da China ou de outros países que estão sendo fortemente afetados pelo coronavírus (Covid-19). Embora as empresas tenham a prática de manter estoques desses itens, a entidade acredita que o risco já pode ser considerado para este mês ou para abril, uma vez que eles demoram em média de oito a dez semanas para desembarcarem no Brasil.
Segundo o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, o estoque atual consegue manter a produção normal nas próximas semanas, mas há um risco iminente da falta desses componentes e a resolução, segundo ele, não é simples. No entanto, informa que a indústria já está considerando alternativas caso isso aconteça, como transporte aéreo para o adiantamento dos lotes ou mesmo alterar e calibrar o mix de produção dos modelos.
“Não é um risco generalizado, mas ele existe para uma ou outra montadora”, disse o presidente da Anfavea.
Moraes reforçou ainda que caso haja alguma paralisação por algum período, a indústria é capaz de reverter as perdas de produção rapidamente, provavelmente no mês seguinte.
“Há o desafio porque é um fator anormal e de alto impacto na economia que todo o mundo está tentando lidar. Existe o risco, mas na indústria há uma serenidade para tratar o tema: existe um monitoramento diário por parte das equipes de logística de todas as montadoras de item por item e peça por peça, inclusive em toda a cadeia de fornecimento, como tiers 2 e 3”, acrescentou.
CHINA AMEAÇA INDÚSTRIA GLOBAL
Atualmente, a China é o maior fornecedor de autopeças do Brasil e segue sendo o país mais afetado pelo coronavírus, com a paralisação de várias fábricas, incluindo de veículos e de peças e componentes. Outros mercados como Coreia do Sul, Japão e Servia já registram escassez de autopeças.
No ano passado, o setor automotivo – considerando montadoras e fabricantes de autopeças – importaram o equivalente a US$ 13 bilhões em itens, deste total, 13% veio da China.
Moraes lembra que alguns países já adotaram medidas para tentar conter os impactos negativos do coronavírus em suas economias. Para o Brasil, ele considera ser cedo para adotar alguma ação, embora o Banco Central tenha sinalizado baixar ainda mais a taxa Selic.
O presidente da Anfavea disse ainda que alguns fornecedores já estão normalizando suas operações na indústria chinesa. “Com a China voltando, tudo normaliza”, comentou.
As montadoras de origem japonesa Honda, Mazda, Mitsubishi, Nissan e Toyota já contabilizam que as perdas de produção podem atingir US$ 1,6 bilhão até abril
por causa do coronavírus.
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