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Corpo de Bombeiros deve adiar prazo para regras de recarga de carros elétricos

Órgão e associação de VEs vão estabelecer normas menos rígidas para instalação de pontos de carregamento
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Ana Paula Machado

26 abr 2024

4 minutos de leitura

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A decisão sobre as novas normas para instalação de carregadores para carros elétricos em locais fechados foi prorrogada para julho. A consulta pública aberta pelo Corpo de Bombeiros da Polícia Militar de São Paulo tinha prazo para ser concluída no início de maio, mas o órgão entrou em acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) para a extensão do prazo para 90 dias. 

A proposta de regulamentação causou espanto pelas regras mais duras para as instalações dos pontos de recargas de carro elétrico em ambientes fechados, como garagens de condomínios e estacionamento de shoppings e supermercados. 


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Pela norma, os pontos de recarga devem ser separados por uma distância de cinco metros. Ou que que tenham paredes resistentes a fogo com os mesmos cinco metros e que resistam às chamas por pelo menos 90 minutos.

Além disso, se as vagas de recarga forem em subsolos, a exigência do laudo ainda inclui chuveiros automáticos – sprinklers – com números específicos de razão e pressão de água.

O documento também diz que as vagas destinadas aos carros plug-ins devem ter pelo menos dois extintores do tipo ABC, com distância máxima de 15 metros do local, layout claro que não prejudique ou dificulte o possível combate ao incêndio e, ainda, também em subsolos, sistema de ventilação para dissipação de gases  

Incêndios em carros elétricos são difíceis de combater

Caso a regra seja homologada, as estações de recarga já existentes terão um ano para se adequarem à nova regulamentação. No documento, o Corpo de Bombeiros informou que a medida foi necessária pelo aumento da frota dos veículos eletrificados e, segundo a corporação, de ocorrências.

“Com resultados potencializados por baterias de íons de lítio, majora-se a probabilidade de o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo atender este tipo de ocorrência”, declara o órgão.

Segundo o texto, os incêndios em veículos elétricos são de difícil extinção, pois necessitam de grandes quantidades de água. “Ademais, nestes incêndios há alta dissipação de gases tóxicos, alta dissipação de calor e grande potencial de reignição do incêndio.”

O presidente da ABVE e diretor de Relações Institucionais da GMW, Ricardo Bastos, disse que a entidade vai propor um debate técnico durante o período da consulta pública para criar normas adequadas para a instalação de estações de carregamento.

“Como foi proposto é muito restritivo e as estatísticas apontam que o risco de incêndio durante o carregamento em um carro elétrico é menor que o veículo a combustão. É importante esta discussão para criar um normativo para isso, mas de forma correta”, disse Bastos. 

ABVE vai mostrar tecnologias

Segundo ele, a regulamentação como foi proposta será ruim para o crescimento da eletrificação no Brasil.

“Acredito que isso não passará da forma como foi apresentada. Vamos mostrar os equipamentos e as infraestruturas de recarga que estão disponíveis atualmente. Tem uma série de equipamentos que já têm dispositivos anti-incêndios. Essa conversa vai formar um normativo mais equilibrado”, afirmou o dirigente. 

Atualmente, o Brasil conta com uma infraestrutura de recarga com cerca de 7 mil estações públicas e privadas espalhadas pelo país, segundo dados da ABVE. São Paulo é a cidade que oferece a melhor relação entre o número de equipamentos para carregamento e a frota de carros elétricos, afirmou Bastos. 

Ruído já prejudicou mercado

Para Danilo Guastapaglia, presidente da Go Eletric, a normativa proposta pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo pode prejudicar a expansão das vendas de carros eletrificados no país. Isso porque, segundo ele, qualquer ruído em relação à infraestrutura de recarga faz o consumidor avaliar a compra de um veículo deste tipo

“As pessoas não compram, elas esperam a definição. Em nosso negócio, por exemplo, seis contratos para instalação de pontos de recarga em condomínio foram colocados em espera até que se resolva a situação. Se a lei sair do jeito que foi proposta fica inviável tecnicamente e economicamente os carregadores”, afirmou o executivo. Atualmente, a Go Eletric administra uma rede de cerca de mil estações de recarga em condomínios. 

Segundo o executivo, desde 2019 as empresas de infraestrutura de recarga seguem as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para as instalações de pontos de recarga em garagens e subsolos que contemplam os requisitos técnicos e de segurança.

“Neste período, ocorreu zero incidência de incêndio de veículo elétrico. Existem estudos internacionais que mostram que menos de 20% dos incêndios em carros elétricos foram ocasionados no momento da recarga. Quando ocorre esse tipo de situação é em razão de alguma disfunção da bateria ou impacto do banco de bateria”, disse o executivo.

“A tecnologia avança a cada dia, principalmente em segurança, o que faz que estatisticamente seja mais perigoso abastecer um carro a combustão do que o elétrico.”