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Redação AB
Seria ótimo o presidente da Petrobras, neste momento, ir à televisão e aos jornais, por iniciativa própria, assegurar que a empresa cumprirá seu compromisso de oferecer diesel limpo para o funcionamento adequado dos caminhões que a indústria automobilística desenvolveu e passará a fabricar, em janeiro, dentro dos padrões Euro 5. Restaria à direção da ANP, de forma semelhante, explicar que coloca em prática a obrigação de assegurar que esse diesel S50 estará disponível onde for necessário para que os transportadores possam circular com segurança por todo o País a partir de janeiro.
Afinal, ainda restam mais dúvidas do que certezas a respeito do suprimento de diesel S50 e Arla 32 a apenas 8 meses da nova legislação de emissões para veículos comerciais pesados entrar em vigor. Se o bom senso imperar, os dois produtos estarão amplamente disponíveis antes mesmo do prazo fatal, o usuário conhecerá os preços praticados, será amplamente informado a respeito das novas tecnologias e saberá como proceder diante de imprevistos.
Os fabricantes de motores e veículos comerciais pesados já se cansaram de afirmar que estão prontos para encarar a nova legislação. Foram mais longe: testaram o powertrain além dos limites, para que consigam tolerar, ainda que apenas em algumas situações, o abastecimento com produto inadequado. Todas as marcas vão oferecer a garantia de costume aos motores, com a certeza de que os abusos serão registrados no sistema OBD, capaz de ler e registrar o que se passa desde o tanque de combustível até o escapamento.
Seria demais esperar que Petrobras, ANP e o Conama, responsável pela arquitetura do programa de controle de emissões, venham a público assegurar em uníssono que não corremos risco de passar pelo mesmo vexame que levou à capitulação da evolução de Euro 3 para Euro 4?
Já se sabe que houve até mesmo a ideia pouco sensata de transferir para os fabricantes dos veículos a responsabilidade pela distribuição dos ‘insumos’ necessários para o bom funcionamento dos novos aparatos tecnológicos associados a P7. Seria razoável esperar que concessionárias de veículos sejam as responsáveis principais pela distribuição de Arla 32, para limpeza dos gases de escape, ou diesel S50?
Esta semana um fabricante local de autopeças para veículos comerciais recebeu da matriz um questionamento a respeito do programa Euro 5 no Brasil. A direção da companhia queria saber se teria havido uma marcha-à-ré, como já havia acontecido com a passagem de Euro 3 para Euro 4. As dúvidas eram naturais. Afinal, pouco antes circulava nos jornais a preocupação da Fecombustíveis com a dificuldade dos donos dos postos de combustível em investir na implantação de tanques e bombas dedicados à comercialização de diesel S50. Essa dúvida é incompreensível a esta altura do campeonato.
Seria razoável que a presidente Dilma Roussef, que já comandou o Ministério das Minas e Energia, convocasse os responsáveis pelo programa Euro 5 para fazer um balanço. A reunião terminaria com uma reprimenda pelos prejuízos ao mercado. E com a lembrança de que pequenos deslizes poderiam ser compreensíveis no início do programa, mas não um programa e uma logística capenga que deixem na mão o usuário de diesel S50 e Arla.
É hora do Brasil levar a sério o que promete, evitando cair em descrédito por não conseguir construir estádios de futebol, desafogar os aeroportos ou distribuir diesel limpo para caminhões de alta tecnologia.