O mercado de importados está tão ruim que nem todas as marcas conseguem nem sequer vender toda a cota. O balanço do bimestre é trágico: queda de 44,5% em relação ao mesmo período do ano passado, com apenas 3.631 carros vendidos pelos importadores associados à Abeifa, a Associação dos Fabricantes e Importadores. Por isso o presidente da entidade, José Luiz Gandini, faz gestões junto ao governo para que as cotas não utilizadas sejam redistribuídas para as demais importadoras, mas por enquanto não há esperança de mudança na legislação.
O próprio Gandini está sofrendo diretamente o problema com a Kia, da qual é o representante no Brasil. A marca coreana tem nove modelos à disposição do consumidor e uma cota de apenas 400 carros por mês. Os modelos mais procurados faltam no mercado, caso do Sportage, que tem até fila de espera: situação esdrúxula num momento de crise, sinal de que falta ajustes na lei.
Essa situação levou a uma mudança no ranking de vendas de importados por modelo em fevereiro. O Sportage perdeu a liderança, caindo para o terceiro lugar na tabela, sendo ultrapassado pelo T5 e pelo Volvo XC60. O utilitário esportivo da JAC foi o carro estrangeiro mais vendido no mês, com 327 unidades. (Repare que os importados mais vendidos são carros médios, todos utilitários esportivos, uma tendência que confirma o erro de algumas marcas no mercado de entrada, casos das chinesas JAC e Chery, que trouxeram ao Brasil carros de entrada e não conseguiram competir com os concorrentes fabricados no Brasil nessa categoria. A propósito, há informações de que a própria Chery estaria deixando de operar no segmento de entrada, mirando as faixas superiores, onde acredita ter maiores chances de sucesso.)
O carro da Chery mais vendido este ano é o Tiggo, outro utilitário esportivo; os demais modelos da marca praticamente não venderam nada no primeiro bimestre. Outra chinesa, a Lifan, também teve como líder de vendas um utilitário esportivo, o X60, com 150 unidades no bimestre, seguido pelo sedã médio LF530.
Mesmo as marcas de luxo tiveram melhor desempenho com os seus carros mais caros, casos da Land Rover com o Freelander e o Evoque, da BMW com o X6 e do Jaguar com o F-Pace.
Os dados do ranking são um claro indicativo de que uma eventual redistribuição das cotas não prejudicaria a indústria nacional, conforme argumentam os que resistem a promover essa mudança na legislação. Segundo os importadores, os clientes de carros estrangeiros não são os mesmo que buscam carros fabricados no Brasil. São pessoas que decidem por determinado modelo e aguardam a oportunidade para comprar. Ou seja: sem a disponibilidade do produto, ele não vai optar por outro e sim esperar nova oportunidade. Dessa forma, argumentam os importadores, o que está havendo é um adiamento da compra, com prejuízo para o setor e para o governo, que está deixando de arrecadar impostos.
Essa agonia vivida pelo setor de importados deve acabar este ano, acredita José Luiz Gandini, pois em dezembro se encerra o prazo do programa Inovar-Auto. Com isso, o setor de importados espera crescer de 30 mil unidades este ano para 60 mil em 2018. Isso, lembrou o dirigente, se as regras atuais se mantiverem, quer dizer: se o ministro da Fazenda se mantiver, se o presidente da República se mantiver…
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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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