
O Global NCAP realizou um crash test envolvendo dois veículos de entrada vendidos nos Estados Unidos e México para mostrar as diferenças de qualidade de construção entre eles.
O órgão escolheu dois modelos da Hyundai: o Grand i10 oferecido no mercado mexicano e o Accent vendido nos Estados Unidos. Tratam-se dos sedãs mais baratos comercializados pela marca sul-coreana nos respectivos países.
As diferenças surgiram antes mesmo do impacto. O Accent, que curiosamente é produzido no México para o mercado dos EUA, sai de fábrica com seis airbags e controle eletrônico de estabilidade. Já o i10, que é fabricado na Índia para o consumidor mexicano e de outros países da América Latina e do Caribe, é importado apenas com apenas dois airbags e sem controle de estabilidade.
Após o impacto, o Accent mostrou um nível de proteção satisfatório e estrutura estável. O Grand i10, por sua vez, apresentou uma estrutura instável e uma proteção classificada como “pobre” ao motorista, exibindo alta probabilidade de ferimentos fatais. Pelos critérios estabelecidos pelo Latin NCAP (órgão que realiza testes de colisão com veículos vendidos na América Latina), o Hyundai Grand i10 teria obtido uma classificação de zero estrela.
Executivos cobram mudanças
David Ward, presidente do Global NCAP, lamentou os resultados.
“É muito decepcionante ver uma lacuna tão grande na segurança dos veículos entre México e Estados Unidos. Uma das principais razões tem sido o ‘lobby’ incessante da Associação Mexicana da Indústria Automotiva para atrasar a implementação dos padrões mínimos de segurança veicular da ONU. Isso aconteceu primeiro para testes de colisão frontal, colisão lateral e para controle eletrônico de estabilidade e agora novamente para proteção de pedestres”, afirmou.
O discurso foi endossado por Stephan Brodziak, Presidente do Comitê de Direção do Latin NCAP.
“Dói testemunhar mais uma vez o terrível duplo padrão com o qual parte da indústria automotiva opera nos países da região da América Latina e do Caribe, o que inevitavelmente nos obriga a pensar no sofrimento que os veículos construídos sob este esquema acabam causando em nossas famílias, sociedades e economias. Além disso, revela a grande questão pendente para que o mercado automobilístico latino-americano amadureça: a ausência de rótulos de segurança veicular que alertem os usuários e consumidores sobre os riscos de carros de baixa segurança”, concluiu.
